CRIME

EDITORIAL | Não queremos mais contar corpos e nem derramar lágrimas de suor e sangue!

Rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho - MG, era tragédia anunciada

Brasil de Fato | Salvador (BA)

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Especialistas não descartam a possibilidade de que os rejeitos cheguem até o Velho Chico. / MAB

Nos últimos dias do mês de janeiro a população brasileira foi surpreendida e comovida pelo rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais. A empresa Vale é a responsável pelos 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração despejados em forma de lama em comunidades e rios, arrastando tudo que tinha pela frente. Até então foram confirmados centenas de mortes e quase duas centenas de pessoas desaparecidas.

A cantora baiana Luedji Luna traz em um de seus versos: “quem vai pagar a conta? Quem vai contar os corpos? Quem vai catar os cacos dos corações? Quem vai apagar as recordações? Quem vai secar cada gota de suor e sangue?”.

Essa é uma pergunta que precisamos fazer, visto que o rompimento da barragem do Córrego do Feijão acontece três anos após o maior desastre ambiental da história do Brasil, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Apesar dos impactos ambientais terem semelhante proporção, Brumadinho teve um número muito maior de vítimas fatais. Sem contar das consequências da exposição da população local aos metais pesados, que podem provocar problemas de saúde. E não somente para os povos e comunidades que vivem em Brumadinho e no curso do Rio Paraopeba. Especialistas da FioCruz não descartam a possibilidade de que os rejeitos cheguem até o Velho Chico e afetem a população dos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.

Especialistas afirmam que não se trata de acidente, e sim uma tragédia anunciada, fruto do modelo atual de exploração mineral que é inseguro e da ausência de um projeto mineral que pense o desenvolvimento nacional e as necessidades da população brasileira, que seja responsável pela vida das pessoas e com o meio ambiente. 

Chegamos a mais uma edição desse jornal, a 7ª, e apesar da esperança e a certeza da necessidade de um projeto popular para o Brasil, que defenda a democracia e a soberania popular, não podemos deixar de lamentar o ocorrido, de nos solidarizar com as famílias. Nos somar aos que exigem justiça e o fim da irresponsabilidade de quem só visa o lucro e desconsidera as vidas dos trabalhadores e trabalhadoras que carregam esse país nas costas. Não queremos mais contar corpos e nem derramar lágrimas de suor e sangue!

 

Confira a versão digital Edição 07 do Brasil de Fato Bahia!

Edição: Elen Carvalho