Mineração

Mais de 700 pessoas são desalojadas após alerta de rompimento de duas barragens em MG

Comunidades evacuadas nesta sexta-feira (8) permanecem alojadas em hotéis sem ter acesso a informações sobre os riscos

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Barragem da Vale sob risco possui 85 metros de altura e 5 milhões de m³ de rejeitos / Divulgação/Vale

O terror e medo do rompimento de barragens em Minas Gerais soma mais um capítulo. Barragens de duas cidades desse estado tiveram seus alertas disparados durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, alertando para o risco do rompimento das barragens. Ambas foram classificadas pela Agência Nacional de Mineração com nível 2 de risco.

Uma das cidades é Barão de Cocais, que fica a 78 km de Belo Horizonte. Cerca de 500 pessoas saíram às pressas de suas casas nas comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras. Um vídeo mostra que a sirene se revezava com o seguinte aviso, através dos alto falantes: “Esta é uma situação real de emergência de rompimento de barragem. Abandonem imediatamente suas residências, sigam pela rota de fuga até o ponto de encontro e permaneçam até que sejam repassadas novas instruções”.

As comunidades são próximas à barragem Sul Superior da mina de Gongo Soco, da mineradora Vale, que possui 85 metros de altura e 5 milhões de m³ de rejeitos. Em Brumadinho, o vazamento foi de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e, em Mariana, 62 milhões. Além da Sul Superior da mina de Gongo Soco, a Vale possui mais 9 barragens e diques na mesma cidade.

A reportagem do Brasil de Fato conversou com Tamara Ferreira Guerra da Cunha, assistente social que atua em Barão de Cocais. Ela conta que a Vale enviou 10 ônibus para as comunidades próximo à barragem, na madrugada, e passou a distribuir os atingidos em hotéis da região. “A Defesa Civil me acionou às três horas da manhã para participar do plano de acolhimento das famílias, juntamente com a Vale. A gente tem famílias muito assustadas, muito preocupadas. É uma zona rural que tem muitos animais. A comunidade é muito unida, eles têm muito vínculo. Algumas pessoas passaram mal, e estamos contando com uma equipe médica para medicá-los. Outros vieram sem documento, e estamos rastreando”, relata.

“A Vale está dando o apoio até então, na hospedagem e na alimentação. Temos uma deficiência que é de informação, na questão de engenharia mesmo. Eles alegam que houve necessidade de evacuação por uma questão de segurança, mas a população quer saber se há desnível, qual o real risco, e isso eles não dizem”, completa Cunha. Segundo ela, 318 moradores haviam sido cadastrados durante o processo de evacuação, na madrugada. Outros 30 decidiram permanecer em suas casas, mesmo após o alerta.

Já na cidade de Itatiaiuçu, a 80 km da capital, a comunidade de Pinheiros foi evacuada nas primeiras horas da manhã de hoje (8) por funcionários da mineradora e da Defesa Civil. O alerta vem da barragem de rejeitos da mineradora ArcelorMittal, de mais de 1 milhão de m³ e 85 metros de altura, da mina Serra Azul. A barragem está dentro da bacia do rio São Francisco.

Em nota, a ArcelorMittal afirmou que a ação é uma “medida de precaução” e que acontece devido a uma “inspeção e auditoria minuciosas na barragem de rejeitos” feita por uma auditoria independente e que observou maior fator de risco na barragem.

Cerca de 200 pessoas também foram levadas a hotéis, conforme afirma a assessoria da mineradora. A ArcelorMittal não informou ainda se irá fazer o reassentamento das famílias ou se a situação é temporária e elas voltarão para suas casas. Também não falou sobre prazos, apenas informou que a empresa irá avaliar a situação.

Edição: Mauro Ramos