Nosso direito

Coluna | Quem paga pelo crime da Vale?

Não há notícia nem mesmo sobre o cumprimento da promessa que fez de “doar” R$ 100 mil para famílias que perderam parente

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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"Enquanto as empresas não forem responsabilizadas, continuarão cometendo esses crimes – porque compensa financeiramente." / Arte: Vanda Moraes

Quase duas semanas após o rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, com identificação de 142 mortos e quase 200 pessoas desaparecidas, a maioria dos sobreviventes está morando na casa de parentes e sem resposta sobre como tocarão suas vidas. 

A empresa Vale, responsável pelo crime, não está atendendo às reivindicações dos atingidos. Não há notícia nem mesmo sobre o cumprimento da promessa que fez de “doar” R$ 100 mil para famílias que perderam parentes. 

A Vale teve lucro líquido anual de mais de R$ 10 bilhões no último período – mesmo depois de estar envolvida com o crime em Mariana (junto com Samarco e BHP). 

Enquanto as empresas não forem responsabilizadas, continuarão cometendo esses crimes – porque compensa financeiramente. 

A privatização da Vale, ocorrida em 1997, também é responsável pela tragédia: a mineração do país foi entregue à iniciativa privada, que busca o lucro a qualquer custo em detrimento do meio ambiente e das pessoas. 

Quem pagou até agora pelos crimes da Samarco e da Vale foram os trabalhadores, as populações ribeirinhas, o meio ambiente e, em última instância, o povo. 

Por isso, mais do que nunca, é preciso exigir que as empresas e seus administradores paguem pelos crimes de violação de direitos humanos que cometem.

Paula Cozero, advogada popular, doutoranda na UFPR e professora. 

Edição: Laís Melo