EDITORIAL

Um ministro da educação às avessas

Pensamento do ministro parece funcionar às avessas: ao invés de expandir, ele quer limitar as universidades

Brasil de Fato I Curitiba

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O descuido com a educação persiste desde o governo anterior / Leandro Taques

Se depender do ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro, muito brasileiro não tem que estudar. Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, publicada em 28 de janeiro, Ricardo Vélez Rodrigues afirmou que “a ideia de universidade para todos não existe” e defendeu que as vagas no ensino superior sejam reservadas a uma elite. Mas Vélez não é o único. O descuido com a educação persiste desde o governo anterior.

A aprovação, por exemplo, da Emenda Constitucional n.º 95, de 2016 (conhecida como “PEC da Morte”), impediu investimentos na educação por 20 anos. Assim como na gestão de Temer, o governo Bolsonaro não vai priorizar o ensino superior. Porém, como apontou a diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ivana Bentes, “o país mudou e abriu um horizonte que não existia com as cotas sociais, raciais e pré-vestibulares comunitários”.

Exemplo disso é a estudante Leticia Christine, de 19 anos, que entrou em segundo lugar pelo ENEM na Federal do Rio deste ano. Ela estudou no pré-vestibular comunitário da Portela, o cursinho gratuito com aulas na quadra da escola de samba. Ainda assim, o acesso é muito restrito. O pensamento do ministro parece funcionar às avessas: ao invés de expandir, ele quer limitar as universidades.

 

Edição: Gabriel Ruiz