crime de guerra

Cruz Vermelha pede que parem de usar indevidamente seu emblema na Venezuela

Organização internacional diz que atuação de pessoas usando seu emblema compromete sua neutralidade e imparcialidade

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Voluntários da Cruz Vermelha em ação. / Cruz Vermelha/Divulgação

A Federação Internacional da Cruz Vermelha, a maior organização humanitária do mundo, pediu neste sábado (23) que pessoas não afiliadas à entidade que parem de usar os emblemas da Cruz Vermelha nas fronteiras da Venezuela com Colômbia e Brasil. 

"Nós ficamos sabendo que algumas pessoas não afiliadas com a Cruz Vermelha da Colômbia e da Venezuela que estão usando os emblemas da Cruz Vermelha na fronteira da Venezuela com a Colômbia e o Brasil. Nós urgimos que parem de fazer isso. Entendemos que a intenção pode ser boa, mas estão colocando em risco nossa neutralidade, imparcialidade e independência", afirma o comunicado.

Neutralidade, imparcialidade e independência são os princípios fundantes da organização, que se vale da isenção para poder ajudar civis e vítimas da guerra em zonas de conflito. A instrumentalização do termo "ajuda humanitária" tem sido bastante criticada na Venezuela por parte do governo Maduro e de seus aliados. A alegação é que sob a justificativa de ajudar as pessoas, estão tentando abrindo as portas para a intervenção estrangeira e interferir na soberania do país, assim como aumentando a tensão nas fronteiras.

"A cruz vermelha e o crescente vermelho são os emblemas reconhecidos e protegidos pelo Direito Internacional Humanitário. (…) O uso dos emblemas para esconder ou obrigar combatentes ou material militar durante um conflito armado (isto é, com uma intenção pérfida) é considerado como um crime de guerra. As violações de menor gravidade devem igualmente ser punidas", diz a ficha técnica sobre a proteção do emblema da Cruz Vermelha.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira