LUTA

Por justiça para Marielle, 6 mil mulheres vão às ruas no Brejo Paraibano

Marcha de camponesas completa 10 anos e elege o tema do racismo como pauta

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

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Marcha pela vida das mulheres e pela agroecologia aconteceu em Remígio (PB) nesta quinta. / Áurea Olímpia

Nesta quinta-feira (14), a décima edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia levou cerca de seis mil mulheres às ruas do município de Remígio, no Brejo Paraibano, a 150 quilômetros da capital João Pessoa.

O evento é promovido pelo Polo da Borborema, uma rede de 13 sindicatos rurais da região, em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e há 10 anos sai as ruas no dia 8 de março para denunciar todas as formas de violência contra a mulher e dar visibilidade ao papel das camponesas na agricultura familiar.

Marielle Vive!

Em 2019, a data do dia 14 de março foi escolhida para a realização da Marcha por ser o dia em que se completa um ano do assassinato da Marielle Franco. Negra, pobre e favelada, a vereadora incomodava por sua atuação em defesa dos direitos humanos e das pautas feministas, e por esta razão sua figura transformou-se em um símbolo de luta contra a opressão de gênero, classe social e raça, e entra para a história ao lado de nomes como o de Margarida Maria Alves, agricultora e sindicalista assassinada na Paraíba há mais de 30 anos: “Nos tiraram Marielle, nos tiraram Margarida, mas o que eles não sabiam é que surgiriam várias outras Marielles, várias outras Margaridas. Nosso grito hoje também é por justiça, justiça para Marielle e para as milhares de mulheres que como ela morreram na luta”, afirmou Giselda Bezerra, liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e da Coordenação do Polo da Borborema, na abertura da Marcha.

Em 2019 a Marcha elegeu como tema de aprofundamento em seus momentos preparatórios o tema do racismo e de que forma ele atinge a vida das mulheres. Segundo Roselita Vitor, da coordenação do Polo da Borborema, a marcha de 2019 veio com uma mensagem clara a respeito do modelo de produção que o movimento defende: “Essa marcha tem um sentido de fortalecer a identidade camponesa das mulheres, mas também de reafirmar a agroecologia como projeto político capaz de trocar conhecimento e produzir solidariedade a marcha foi um momento importante de celebração e de afirmação de tudo isso”, afirmou.

O evento teve início as 8h com concentração no campo de futebol “O Dedezão”. No palco, houve a apresentação de uma peça de teatro que mostrou o cotidiano das mulheres agricultoras e negras que buscam no trabalho doméstico uma oportunidade de sobrevivência e lá sofrem diversas violências e preconceitos. O espetáculo foi encenado pelo Grupo de Teatro do Polo da Borborema, formado por agricultores e agricultoras da região.

Por volta das 10h30 da manhã, a Marcha ganhou as ruas do município, com faixas, estandartes e cartazes, as mulheres do campo e da cidade repudiaram todas as formas de violência, machismo e opressão sofridas pelas mulheres, além dos números alarmantes de feminicídios acontecendo no país.

Em frente à Câmara de Vereadores, a marcha fez uma parada para um ato público, onde Marielle foi homenageada, um painel com sua imagem foi exibido da sacada de um prédio enquanto que nas ruas centena de mulheres seguraram placas com seu nome.

No Parque da Lagoa, no Centro da cidade, em um segundo palco, apresentou-se a Cirandeira Lia de Itamaracá. No mesmo espaço ocorreu ainda uma feira agroecológica com a venda de produtos da agricultura e artesanato frutos do trabalho das agricultoras da região. Após o show de Lia de Itamaracá, a marcha foi encerrada com uma ciranda ao som da música: “Ninguém solta a mão de ninguém”: “É com essa energia que vamos continuar essa luta, vamos continuar de mãos dadas, resistindo e denunciando o racismo, o machismo e todas as formas de preconceito e violência”, finalizou Maria do Céu Silva.

Edição: Heloisa de Sousa