Alesp

Erica Malunguinho e Bancada Ativista tomam posse com promessa de resistência

Cerimônia ocorreu na tarde desta sexta-feira (15); Macris (PSDB) bate Paschoal (PSL) e é reeleito presidente da casa

Brasil de Fato | São paulo (SP)

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Malunguinho é primeira trans da história a assumir cargo na Assembleia Legislativa de São Paulo / Juca Guimarães

À frente do cortejo do Ilu Inã, de cabeça erguida e passo firme, Erica Malunguinho (PSOL) chegou para a posse na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que ela define como uma reintegração de posse do povo negro e dos movimentos populares.

“Essa casa, que é a casa do povo; e, se é do povo, tem que ter gente preta, tem que ter gente preta nas cadeiras, tem que ter gente preta decidindo o que será melhor, o que será o amanhã”, disse.

Para Eduardo Sudré, 39, professor universitário, que esteve presente na posse, o mandato da deputada fortalece pautas importantes no contexto político atual, “sobretudo do povo preto, do povo LGBT, das mulheres trans”, disse.

Além do mandato de Malunguinho, os movimentos populares também estão engajados com a legislatura da Bancada Ativista, um mandato coletivo de nove pessoas, eleito em nome de Mônica Seixas. É a primeira vez que um mandato é assumido coletivamente. Neste caso, com uma diversidade de movimentos populares e causas que incluem meio ambiente, movimento negro, defesa dos animais, educação, maternidade, causa indígena, feminismo, entre outros.

Raquel Marques, uma das integrantes da Bancada, disse que, para além de ser uma resistência em votações dentro da Alesp, a candidatura propõe promover debates e diálogo com a população.

“O mandato é muito mais do que votar e ser votado. O mandato também é fiscalização, é dar voz a população com audiências públicas, usar o nosso poder de influência com o mandato para buscar explicações de coisas que não estão funcionando bem, e conseguir reunião de movimentos sociais com o Estado, por exemplo”.

Os dois mandatos, com uma dezena de parlamentares, afirmam que representam muito mais que os 149.844 eleitores da bancada ativista e os 55.223 paulistas que votaram na Erica Malunguinho. São presenças que asseguram o lugar de fala de mulheres trans, sem-terra, negros, sem-teto, estudantes e indígenas na Alesp pelos próximos quatro anos.

Um período que se apresenta com expectativas de grandes debates e tensões. Pois, entre os 94 deputados que tomam posse hoje, uma das maiores bancadas é do PSL, de pauta conversadora e apoio de forças da extrema direita.

Durante o anúncio dos nomes dos deputados eleitos, para confirmação da posse do cargo, os deputados do PSL recebiam vaias de boa parte da plateia no hall monumental e gritos de “quem mandou matar a Marielle?”.

Um pouco antes do início da cerimônia, cerca de 15 pessoas do movimento Direita São Paulo fizeram gritos de provocação contra o PT e de apoio à candidatura da deputada Janaina Paschoal (PSL), outra estreante, para a presidência da Casa. No entanto, ela perdeu para o deputado Cauê Macris (PSDB), que foi reeleito. Ele conseguiu 70, dos 94 votos.

Edição: Aline Carrijo