Investigação

Ex-deputado do Rio é apontado como possível mandante do assassinato de Marielle

Domingos Brazão foi conselheiro do Tribunal de Contas e está afastado desde 2017 por denúncia de recebimento de propina

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Brazão também foi citado na CPI das Milícias em 2008 / Carl de Souza/ AFP

Uma semana após as prisões do ex-PM reformado Rennan Lessa e do ex-PM  Élcio Queiroz, acusados pela Polícia Civil e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPERJ) de executarem Marielle Franco e Anderson Gomes, trechos do inquérito da Polícia Federal (PF) que se debruça sobre a obstrução nas investigações do caso apontam o ex-deputado estadual Domingos Brazão como um dos possíveis “mandantes do assassinato”.  

A informação foi revelada pelo portal UOL. Segundo a reportagem, duas fontes que são ligadas ao caso confirmaram que esta é uma das linhas de apuração que constam no inquérito da Delegacia de Homicídios da Capital (DH). 

Brazão integrou o MDB e foi conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ). O ex-deputado foi afastado em 2017 da sua função de conselheiro após a denúncia de recebimento de propinas para não fiscalizarem obras. A Operação “Quinto do Ouro”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) que resultou na prisão temporária de Brazão e outros  cinco conselheiros do TCE também teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (MDB), que está em prisão domiciliar desde março do ano passado após uma investigação que atrelou o ex-deputado, líder do clã Picciani, à máfia dos transportes no Rio. 

O nome de Brazão já havia surgido anteriormente no Caso Marielle. O ex-deputado teria ligações com o delegado federal, Hélio Khristian, que apresentou o policial militar, Rodrigo Ferreira, conhecido como "Ferreirinha", como a testemunha que, em maio de 2018, apontou o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o miliciano Orlando de Curicica como mandantes do crime.  O PM procurou, espontaneamente, o delegado da Polícia Federal para contar que ouviu uma conversa entre Curicica e Siciliano, num restaurante no Recreio dos Bandeirantes, em junho de 2017, em que Marielle foi citada. De acordo com reportagem do UOL, Brazão e Siciliano teriam uma disputa territorial por votos numa área dominada pela milícia  na zona oeste do Rio o que teria motivado a acusação contra o vereador.

O conselheiro afastado do TCE – RJ também foi citado na CPI das Milícias em 2008. Marcelo Freixo (PSOL), à época deputado estadual no Rio de Janeiro, presidiu a Comissão que em seu relatório final pediu o indiciamento de 225 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis. 

O Brasil de Fato contatou o advogado de Domingos Brazão para um posicionamento sobre as acusações. A equipe não obteve o retorno até o fechamento desta reportagem.

Mudança na DH 

Na terça-feira (19), a Polícia Civil bateu o martelo sobre a troca de comando da Delegacia de Homicídios da Capital (DH). O delegado Daniel Rosa, que estava à frente da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense assumiu o lugar de Giniton Lages.  

O afastamento de Lages veio após a entrega da primeira fase da investigação do Caso Marielle que apresentou os nomes dos executores. A segunda fase das investigações, que  pretende responder as perguntas sobre os mandates do crime e a motivação, caberá à Rosa. 

Rosa assumiu a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense em março de 2018 por conta das mudanças ocorridas nas forças de segurança do estado após a instalação da intervenção militar. 

Lages, por sua vez, entra  de férias e seguirá para um intercâmbio de quatro meses com a polícia italiana para estudar máfias e movimentos criminosos. 

 

Edição: Mariana Pitasse