Violência

Editorial | Como não tornar o Brasil um reduto de tiroteios?

Mas o governo Bolsonaro quer prevenir a violência ou incentivá-la? Eis a questão

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Pacote recém-lançado pelo ministro da justiça não sugere a integração dos serviços de inteligência das polícias e ações preventivas. / JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Diferente dos EUA, são raridade os casos de tiroteios em massa no Brasil, como ocorrido em Suzano. Naquele país, porém, os registros são antigos, o que nos permite chegar a certas conclusões: fácil acesso a armas de fogo, conflitos raciais históricos, cultura de bullying, numerosos veteranos de guerra, entre outros fatores, ajudam a explicar por que os estadunidenses estão no topo desta modalidade.

Por outro lado, dados do site de jornalismo investigativo Mother Jones mostram traços comuns sobre tiroteios em massa. Os atiradores costumam ser homens, brancos, apresentam histórico de distúrbios psiquiátricos e geralmente morrem, suicidando-se ou pelo gatilho da polícia. Têm ainda interesses por armas. Certamente, transformar escolas em trincheiras armadas não resolve.

O pacote recém-lançado pelo ministro da Justiça Sérgio Moro sobre segurança pública também não ajuda. As medidas não sugerem, por exemplo, sobre a integração dos serviços de inteligência das polícias e sobre ações preventivas. Sob outra perspectiva, há condutas que podem minimizar o problema, como programas de conscientização de bullying nas escolas e o combate a crimes de violência doméstica. Mas o governo Bolsonaro quer prevenir a violência ou incentivá-la? Eis a questão.

Edição: Gabriel Ruiz