CONQUISTA

16ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico mostra força do MST

Evento, que reuniu mais de 1 mil pessoas, evidenciou a contribuição dos Sem Terra na produção de alimentos saudáveis

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

,
16ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico foi realizada no dia 15 de março / Fotos: Leandro Molina

Cerca de 1,2 mil pessoas celebraram a 16ª Festa da Colheita de Arroz Agroecológico, realizada no dia 15 de março no Assentamento Santa Rita de Cássia II, em Nova Santa Rita, na região Metropolitana de Porto Alegre. O evento, que é promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acontece anualmente no Rio Grande do Sul, onde há a maior área plantada de arroz orgânico.

Além de famílias assentadas, participaram da atividade lideranças populares e representantes de seis prefeituras de São Paulo e do Rio de Janeiro, que adquirem arroz do MST para a merenda escolar. Ainda estiveram presentes deputados, gestores municipais, estudantes de universidades públicas e os chefes de cozinha Carmen Virginia, Checho Gonzales e Julio Bernardo.

O Movimento Sem Terra é considerado pelo Instituto Rio Grandense de Arroz (Irga) como o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. O cultivo acontece há 20 anos no estado gaúcho. Ao todo, são 363 famílias envolvidas em 15 assentamentos e 13 municípios. A produção ocorre em 3.433 hectares de áreas de banhados. Segundo o Grupo Gestor do Arroz Agroecológico, na safra 2018-2019 a previsão é colher 16 mil toneladas.

Resistência

16ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico foi realizada no dia 15 de março 

A festa relembrou a história da luta pela terra no estado e das 101 famílias do Assentamento Santa Rita de Cássia II, que fica à margem da BR-386. Teve estudo sobre a atual situação do país com João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST. Ele afirmou que, embora a situação seja adversa aos movimentos populares, a burguesia rentista que está no poder também tem dificuldades de superar a crise, motivada por mudanças no modo de produção capitalista.

Já as lideranças políticas ressaltaram o papel dos assentados e da agricultura camponesa no cultivo de alimentos saudáveis. Conforme o deputado estadual Edegar Pretto (PT), o MST mostra ao mundo a experiência positiva na produção livre de veneno. “A Reforma Agrária Popular viabiliza a permanência das famílias no campo, com trabalho, renda e produzindo em escala. A colheita do arroz agroecológico representa bem a importância das famílias assentadas que conquistaram a terra e produzem com dignidade”, destaca.

O evento reuniu público de várias cidades que teve a oportunidade de prestigiá-lo pela primeira vez. É o caso da jornalista Anahi Fros, que é natural de Caxias do Sul, mas mora há seis anos em Porto Alegre. “Passei cinco deles curiosa em conhecer a Festa da Colheita do Arroz Agroecológico. Enfim concretizei meu desejo. Foi incrível ver de perto o resultado da produção desse alimento que consumo há pelo menos dez anos e que está nas feiras ecológicas com as quais atuo como comunicadora, dimensionado ainda mais o trabalho do MST em prol da agroecologia”, conta. 

Livia Esperança, coordenadora de alimentos escolares da prefeitura de São Paulo, também participou da atividade. O arroz do MST é servido a cerca de 500 mil alunos de 2.460 escolas municipais da capital paulista. Para ela, essa é uma forma de democratizar o acesso à comida saudável. “Nós prezamos pela qualidade, acreditamos que o alimento orgânico é fundamental e tem que estar presente nos cardápios escolares”, aponta. 

A assentada Juraci Lima diz que foi muito gratificante receber tantas pessoas dispostas a conhecer de perto o MST, e mostrar a elas a produção diversificada dos assentamentos por meio da Feira Ecológica. “Foi um espaço muito importante de diálogo, para estreitarmos a relação e mostrar que a Reforma Agrária dá certo”, argumenta.

Experiência vira livro

Livro foi lançado durante a festa

Foi lançado durante a festa o livro "A produção ecológica de arroz e a Reforma Agrária Popular", uma adaptação da tese de doutorado de Adalberto Martins, que integra o setor de produção do MST. Segundo o autor, a obra publicada pela Editora Expressão Popular contribui para a divulgação da experiência dos assentados e suas produções ecológicas. “É um material didático, um trabalho acadêmico que dá suporte a uma prática social camponesa”, relata.


Este conteúdo foi originalmente publicado na versão impressa (Edição 12) do Brasil de Fato RS. Confira a edição completa. 

Edição: Marcelo Ferreira