Opinião

Editorial | Tá ruim? Pode piorar. Mas ainda é tempo para barrar

Muitos votaram em Bolsonaro acreditando em algo “diferente”, mas pode acreditar: o projeto dele é muito pior

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Ainda está em tempo. Dialogue com sua família e amigos, lute! / Foto: Reprodução

O Brasil vive uma crise política, econômica, ambiental e social sem precedentes. Essa crise tem sua origem na crise do sistema capitalista que eclodiu em 2008 nos EUA. De lá para cá, em diversos países do mundo, se retiraram direitos, privatizaram serviços públicos, dificultaram a aposentadoria da população, aumentaram a exploração dos recursos naturais.

Com o Brasil não foi diferente. Pare, pense e reveja todos os acontecimentos desde as eleições de 2014, quando Dilma Rousseff foi reeleita. A crise atingiu o Brasil em cheio a partir de 2012. Os grandes empresários e os banqueiros entraram em pânico. Como iriam retomar suas taxas de lucro? Como os grandes empresários e banqueiros de outros países fizeram: retirando direitos, privatizando, se apropriando dos recursos do Estado. Apostaram em Aécio Neves, mas Dilma ganhou. Partiram então para cima do governo.

Mas tinha uma pedra no meio do caminho. O povo e seus representantes. Os movimentos populares, os sindicatos, os partidos de esquerda. Sobretudo Lula e o PT, o partido que liderou as forças democráticas e populares desde o fim da ditadura militar em 1985. Os meios de comunicação empresarias, o poder econômico, com a FIESP, a FIERJ e a FIEMG a frente, boa parte do Judiciário, e hoje sabemos, parte das Forças Armadas, se uniram no programa neoliberal e no objetivo de acabar com o PT e a esquerda.

Inventaram um impeachment por pedalada fiscal. E sem provas, sem crime, retiraram a Dilma. Ela estava atrapalhando que as reformas de interesse do mercado – sobretudo dos banqueiros, dos que vivem da especulação e do capital financeiro – fossem implementadas mais rapidamente. Veio Temer e congelou os gastos com saúde e educação por 20 anos. Destruiu a CLT e flexibilizou direitos, tornando o mercado de trabalho no Brasil um salve-se quem puder.

A carteira assinada virou um sonho distante. O desemprego chegou a 20%. Temer destruiu muito mais coisas. Quase aprovou a reforma da Previdência que acabaria com a aposentadoria, mas uma greve geral gigante, no dia 28 de abril de 2017, impediu. Guarde bem isso. O povo impediu a reforma da Previdência. Depois tiveram que prender Lula, senão, todas as pesquisas mostravam, ele ganharia as eleições de 2018.

Temos muito o que fazer

Muitos votaram em Bolsonaro acreditando em algo “diferente”, “fora dos padrões”. Mas pode acreditar, o governo de Bolsonaro é muito pior. Não é só a pessoa dele que é pior. É o projeto todo, o que pretendem. Sua proposta de reforma da Previdência entrega as economias dos trabalhadores para os banqueiros.

Ficará impossível aposentar com salário integral. Imagine com a enorme informalidade que temos, conseguir contribuir por 40 anos? Para a enorme maioria vai demorar 60 anos, no mínimo. Sem falar na entrega do pré-sal e da Petrobrás, na entrega dos recursos naturais, na submissão aos interesses dos EUA, na nova carteira de trabalho verde e amarela sem direitos. E o principal, eles querem destruir as organizações que lutam pelos mais pobres, as organizações que representam os interesses de 90% da população, os trabalhadores. Eles querem destruir sindicatos, movimentos populares e partidos de esquerda.



Mas ainda está em tempo. Dialogue com sua família e amigos, participe da organização no seu bairro, na sua rua, na sua igreja. Lute. Temos que barrar a reforma da Previdência. Se conseguirmos barra-la, será um passo importante para outras vitórias contra os inimigos do povo.

Edição: Elis Almeida