MINICONTO

Fonte cruel de juventude

Escritor brasileiro que vive no México estreia na coluna de contos Luzes da Cidade

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"Ele sente-se dono do mundo, audaz, controlador da vida"
“Ele sente-se dono do mundo, audaz, controlador da vida” | Crédito: Gibran Mendes

O menino quer mostrar um ano a mais neste mundo violento. Sete anos neste dia de fevereiro. Ele sabia o que era a morte e a vida. Enfrenta os Homens-Ferro, pois corre entre os carros. Cruza a rua. Para no meio. Ri diabolicamente. Volta. Zumbido-louco-de-lataria-assassina. Flutua. Bambolê-duende. Fala com a adulta assustada:

– Por que você teme?!

– Cuidado!

Ela mesma não tem esta ousadia. Ele sente-se dono do mundo, audaz, controlador da vida. Aquelas máquinas nunca sequer o tocarão. Ele tem ginga e poderes. Despreza aquela pessoa fraca que teme tudo.

Ela grita: – Vem! Ele volta a correr. Ela parece uma miragem no distante. Mordendo os lábios, chorava e esperneava como uma criança. Volta a pisar nas máquinas. Faria isso a vida toda se fora possível. Sabia quem era, não tinha medo de nada, e aquela pessoa não tinha o direito de arrancar-lhe a juventude.

Não seria sua audácia que o mantinha forte frente àquela velhacaria medrosa?

Editado por: Pedro Carrano

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