Ditadura

Artigo | 1964 nunca mais: pela verdade, memória e justiça

É importante conhecer a rede de agentes e instituições que participaram do regime para fugir das armadilhas do passado

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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O regime de exceção massacrou trabalhadores rurais, urbanos e indígenas / Foto: Centro de Documentação e Memória (Unesp)

Apesar de vozes antidemocráticas ainda hoje negarem, com o golpe militar de 1964 instalou-se um regime de exceção, violência e arbítrio em nosso país: um governo de decretos e atos institucionais autoritários; políticos eleitos democraticamente foram cassados; as eleições eram controladas e figuras esdrúxulas, como governadores e senadores biônicos, foram criadas.

Para se manter no poder, os generais calaram os meios de comunicação impondo censura e ameaças. Houve forte repressão aos movimentos sociais e populares, no campo e na cidade. A utilização da tortura transformou-se em política de estado. Ocorreram diversos desaparecimentos forçados, exílios e incontáveis violações dos direitos humanos.

O regime de exceção, além de ter massacrado centenas de militantes de movimentos sociais e estudantis, partidos políticos e sindicatos de trabalhadores nas cidades, também atingiu grupos sociais mais amplos, como trabalhadores rurais, urbanos e indígenas.

Como demonstrou o relatório final da Comissão da Verdade em Minas Gerais, pela ação, conivência, parceria e omissão às graves violações de direitos, associações, empresas e instituições privadas foram parceiras com o regime ditatorial. Além dos agentes e órgãos públicos de diversos setores dos três poderes do Estado que atuaram com os militares.

Conhecer essa complexa rede de agentes e instituições públicas e privadas partícipes do regime ditatorial é um elemento importante para o desvelamento das armadilhas do passado de tão triste memória. E é luz para entendermos as imensas violências, injustiças e desigualdades que ainda vicejam em nosso país atualmente.

Nos dias de hoje, vozes agourentas clamam pelo passado de arbítrio e exceção. Mas, o Brasil precisa acertar suas contas com esse passado ditatorial. Por isso, é preciso lutar para que a verdade ecoe dos porões da ditadura. Para que a memória das vítimas daquele período seja luz da resistência democrática no presente e a luta por justiça seja a bússola a indicar o caminho à verdadeira democracia. 

*Robson Sávio Reis Souza é ex-coordenador da Comissão da Verdade em Minas Gerais.

Edição: Joana Tavares