Coluna

Os interesses dos EUA na América Latina

Imagem de perfil do Colunista
01 de Abril de 2019 às 12:15

Ouça o áudio:

Desde a Doutrina Monroe, por meio de investidas econômicas e golpes, os EUA atingem a América Latina / Foto: Reprodução
Nas terras e águas latino-americanas, a sanha capitalista dos EUA aumenta

A partir dessa semana vamos dar uma breve pincelada no quadro geopolítico do nosso continente e principalmente na região mais conhecida como América Latina e Caribe. Para início de conversa, vamos entender quais são os principais interesses dos Estados Unidos (EUA) nessa parte do continente. Vamos lá: 

Doutrina Monroe. Logo após o período colonial (séc.19) quando as disputas se davam entre as principais nações europeias como Espanha, Portugal, Inglaterra, Holanda e França, os Estados Unidos da América, passaram a considerar a América Latina e o Caribe como seu quintal.  Esse controle e hegemonia foi mantido na base do “pau e prosa”. No dia 2 de dezembro de 1823, o então presidente estadunidense James Monroe, fez o seu famoso pronunciamento em que deixa claro que o continente não deveria aceitar nenhum tipo de intromissão européia sobre quaisquer aspectos, isto é, “a América é para os americanos”. Essa foi a base da chamada “Doutrina Monroe”. 

Reservas de petróleo. Quando olhamos para esse continente, percebemos o porquê da sanha capitalista por essas terras e mares. Com uma população de mais de 600 milhões de habitantes, essa é uma região que compreende mais de 20 milhões de quilômetros quadrados de superfície (13,5% da área territorial do planeta); terras férteis, água em abundância, grandes diversidades geográficas e biológicas, portanto geradores de importantes recursos alimentícios, energéticos e minerais. É na região que estão localizados as maiores reservas de petróleo, ferro, cobre, lítio e prata do planeta. Também é daqui que saem a soja, trigo, celulose, etanol, açúcar, algodão, carne e café que são exportados para os países centrais. 

Ciclo de lutas. Nas últimas décadas, após um longo período de golpes, invasões e ditaduras (todas apoiadas direta ou indiretamente pelos EUA), e a implantação da política neoliberal por governos aliados de Washington, houve uma mudança no cenário político e econômico na região com eleições dos chamados governos “progressistas” que teve início com a eleição de Hugo Chávez na Venezuela em 1998. Atualmente, os EUA vem recuperando espaços na região com governos aliados seja através de eleições diretas ou de golpes. Mas apesar dessa ofensiva, resumidamente o que podemos perceber é que há um novo ciclo de luta de classe na América Latina, um momento histórico importante e complexo, determinado por uma nova correlação de força entre o capital, os governos e as forças populares.

*Joaquín Piñero é militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da ALBA Movimientos e atua no Setor de Relações Internacionais. 

Edição: Vivian Virissimo