Opinião

Editorial | É cilada, Bino

Informações são produzidas por alguém, com alguma intencionalidade, seja ela comercial, pessoal ou política

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Mais de 90% das notícias que nos chegam são produzidas por interesses da classe dominante e são contrárias aos interesses dos trabalhadores / Foto: Reprodução

Nos tempos atuais não faltam informações: elas chegam aos montes, o dia inteiro, pela TV, pelo rádio, jornais, nos computadores, pelos celulares.  São tantas, que dificilmente conseguimos guardar onde lemos uma determinada notícia ou como ficamos sabendo de tal coisa. 

Informações são produzidas por alguém, com alguma intencionalidade, seja ela comercial, pessoal, política ou por puro prazer. Com as redes sociais, tem sido crescente o envio de campanhas. Tem campanha para salvar baleia, curar doentes, proteger florestas, impedir a extinção, e, claro, contra os políticos e os poderes da República. É preciso prestar atenção nessas últimas. 

Tudo funciona como se fossem todos iguais: individualistas, corruptos e corporativistas. Será assim mesmo? Não, não é bem assim. Falhos sim, todos somos. Mas política é jogo de interesses, refletem disputas no interior da sociedade. No modelo de sociedade em que vivemos, uma disputa é a central e deve ser utilizada como lupa para se entender qualquer notícia. 

No capitalismo, uns poucos são os donos dos meios de produção (fábricas, terras, propriedades) e a grande maioria da população só tem sua força de trabalho para vender. A principal disputa então se dá entre os interesses dos trabalhadores e da classe patronal. Façamos esse exercício de análise. 

Por exemplo. O vice-presidente Mourão declarou a empresários que foi um absurdo o salário mínimo ter sido corrigido acima da inflação durante os governos de Lula e Dilma. A partir de quais interesses ele estaria falando? Outro exemplo: Bolsonaro defendeu que os trabalhadores têm direitos demais, o que prejudicaria a economia. De que lado ele está? Paulo Guedes, o ministro da economia, disse que pretende tirar da Constituição a obrigatoriedade de investimentos em saúde e educação. Agradaria qual classe social essa alteração constitucional?

Mesmo quem produziu a notícia deve ser analisado por essa disputa na sociedade. Os veículos de comunicação são também empresas. A maneira como produzem a notícia é neutra? O que se escolhe noticiar, quem entrevistar sobre aquele assunto, quanto tempo dar para um ponto de vista ou outro, o que ser dito, que imagem utilizar para ilustrar um fato… Tudo são escolhas políticas marcadas pelo recorte de classe. 

Mais de 90% das notícias que nos chegam são produzidas pelos interesses da classe dominante e são contrárias aos interesses dos trabalhadores. O bordão da série “Carga Pesada”, imortalizado na boca de Antonio Fagundes, nessa hora faz todo sentido: é cilada, Bino. 

Edição: Elis Almeida