Memória

Há 57 anos, o "cabra marcado" João Pedro Teixeira era assassinado na Paraíba

Líder da Liga Camponesa de Sapé teve sua história retratada em documentário do cineasta Eduardo Coutinho

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Elizabeth Teixeira ao lado dos filhos logo após o assassinato de João Pedro / Reprodução / Cabra Marcado Para Morrer

Assassinado pelas costas com tiros de fuzil por policiais a mando de fazendeiros da Paraíba, João Pedro Teixeira é uma referência histórica na luta pela terra por conta de sua liderança na Liga Camponesa de Sapé (PB). A morte dele, em 2 de abril de 1962, completa 57 anos nesta terça-feira (2) e simboliza a criminalização dos movimentos populares no campo pré-golpe militar de 1964.

:: "Eu continuo a luta”, diz Elizabeth Teixeira, esposa de João Pedro Teixeira ::

A história de Teixeira foi retratada no documentário “Cabra Marcado para Morrer”, obra-prima do cineasta brasileiro Eduardo Coutinho. Após perseguições políticas, o longa iniciado na época da morte foi retomado quase 20 anos depois, quando Coutinho se reencontra com a viúva de Teixeira, dona Elizabeth, que vivia sob um nome falso no interior do Rio Grande do Norte. 

Na continuação das gravações, Coutinho entrevistou Elizabeth Teixeira e correu o Brasil em busca dos filhos espalhados de João Teixeira. Além da família, vários personagens relacionados às lutas da Liga Camponesa de Sapé também compõem o documentário.

As Ligas Camponesas eram associações criadas por trabalhadores do campo como forma de organização política e ajuda mútua. Com frequência, as ligas despertavam a inimizade dos grandes fazendeiros e patrões latifundiários.

A primeira liga surgiu em Pernambuco no ano de 1954 sob o nome de Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco. Ela ficava dentro do Engenho Galiléia e serviu de exemplo para que a iniciativa se espalhasse pelo nordeste, chegando até a Paraíba, onde trabalhava João Pedro Teixeira.

Desde janeiro de 2018, a importância de João Pedro Teixeira na história brasileira está reconhecida oficialmente pela lei 13.598/12, que inclui o nome do líder camponês no "Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria". O livro é confeccionado em aço, está exposto no Panteão da Pátria em Brasília (DF) e contém nomes como Zumbi dos Palmares, Anita Garibaldi e Chico Mendes. 

Edição: Daniel Giovanaz