GEOPOLÍTICA

No Rio, evento aborda o rumo da democracia diante da escalada conservadora

O encontro ocorreu nesta quinta-feira (11) e faz parte do Ciclo de Seminários de Análise da Conjuntura Mundial

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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O evento é promovido pelo Núcleo de Estudos sobre Geopolítica, Integração regional e Sistema mundial (GIS/UFRJ) e o Instituto Tricontinental / Foto: reprodução

O seminário “Democracia em xeque e a onda conservadora” aconteceu na noite desta quinta-feira (11) no auditório do Sindicado dos Trabalhadores no Combate às Endemias e Saúde Preventiva no Estado do Rio de Janeiro (SintSaúdeRJ).O evento teve o objetivo de debater sobre a democracia na atualidade, seus limites, desafios e ameaças à institucionalidade enfrentadas nos dias de hoje.

Para a professora Juliana Magalhães, os desafios são enormes. Segundo ela, falta articulação das organizações populares.“Nós estamos extremamente desorganizados para enfrentar as dificuldades desse momento. Desde 2016 não conseguimos articular uma frente ampla pela democracia. Então, o primeiro grande desafio é interno e diz respeito da esquerda se organizar e estabelecer diálogos mais amplos”, declarou. 

O encontro que ocorreu nesta noite faz parte do Ciclo de Seminários de Análise da Conjuntura Mundial promovido pelo Núcleo de Estudos sobre Geopolítica, Integração regional e Sistema mundial (GIS/UFRJ) e o Instituto Tricontinental. Este último tem como objetivo analisar os aspectos geopolíticos dos processos e projetos de integração regional em andamento na América Latina. 

Nesta segunda edição, o Ciclo de Seminários contou com a participação da professora de Direito, Juliana Magalhães, o juiz e cientista político, João Batista Damasceno e a militante da ALBA Movimentos, Paola Estrada. 

O evento acontece em um contexto de tensões entre projetos progressistas e programas neoliberais sobre projetos de mundo e movimentações geopolíticas.  

Para João Batista Damasceno a democracia é mais ampla do que momentos eleitorais e o que acontece atualmente é a apropriação do que é público, corroendo a democracia em todo o mundo e a reduzindo, simplesmente, ao ato de votar a fim de beneficiar negócios privados. “Tudo foi privatizado é o caso dos bens naturais e das riquezas não decorrentes de trabalho”, declarou o juiz e cientista político.  

Damasceno questionou também o modelo dito "nacionalista" adotado  pelo governo Bolsonaro em que a moeda de troca das relações comerciais está baseada no entreguismo. “Pregam uma anti-globalização, mas entregam todas as nossas riquezas para empresas internacionais”, disse.

Já Paola Estrada afirmou que o campo da direita se apropriou de diversos temas e símbolos neste último período político, mas que a esquerda não pode deixar de fazer a disputa nesse âmbito, como, por exemplo, deixar de carregar a bandeira brasileira e de disputar os símbolos nacionais. “A gente não pode abandonar a disputa da democracia, da soberania e dos direitos. Eu sou uma defensora da bandeira do Brasil, o povo reconhece esse símbolo, temos que nos apropriar cada vez mais deles”, destacou a estudante de mestrado.

O vídeo do seminário pode ser acessado na página do Facebook do Brasil de Fato RJ.

 

Edição: Jaqueline Deister