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O que você precisa saber sobre as maiores eleições do planeta, em andamento na Índia

Cerca de 900 milhões de pessoas estão aptas a votar; líder nacionalista hindu tenta novo mandato

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Cerca de 430 milhões de mulheres devem votar e podem ultrapassar o número de eleitores do sexo masculino pela primeira vez na Índia / AFP

Desde a última quinta-feira (11), as urnas estão abertas para que cerca de 900 milhões de indianos escolham os 543 integrantes da Lok Sabha, a câmara baixa do Parlamento da Índia. Os votos da maior eleição do planeta serão apurados em 23 de maio.

Narendra Modi, carismático líder nacionalista hindu, foi eleito primeiro-ministro cinco anos atrás e tenta um novo mandato. O Congresso Nacional Indiano (INC), que reúne os principais opositores de Modi, promete garantir uma renda mínima aos 20% mais pobres da Índia por meio de programas sociais, aprimorar o sistema de saúde, efetivar o direito a moradias populares e reduzir o desemprego e a desigualdade social.

A pesquisa mais atualizada aponta cerca de 4% de desempregados na Índia – a maior taxa dos últimos 45 anos. Hoje, o 1% mais rico da Índia é dono de metade da riqueza do país (confira no vídeo abaixo).

O principal trunfo de Modi é o crescimento econômico e o desenvolvimento da infraestrutura do país, especialmente no setor de transportes, tanto rodoviários como ferroviários.

"Se avaliarmos todos os nossos programas de desenvolvimento, parece um governo socialista. Nosso governo disponibilizou muitos benefícios para os pobres, coisas que anteriormente apenas a classe média podia bancar", ressalta Rakesh Sinha, parlamentar do Partido do Povo Indiano (BJP), de Modi.

O INC acusa Modi de corrupção em um acordo de compra de caças com a francesa Dassault Aviation.

Sob a presidência de Modi, o BJP tem apoiado organizações marginais de direita, responsáveis pelo linchamento de indivíduos que supostamente teriam consumido carne bovina – que é proibida na região. Com esse movimento, o partido perdeu parte de seus apoiadores, e tenta recuperá-los com a promessa de manutenção da estabilidade política e econômica. Somam-se ao contexto eleitoral os questionamentos das mulheres às diferenças salariais no campo e uma greve que reuniu cerca de 200 milhões de trabalhadores.

Cerca de 430 milhões de mulheres devem votar e podem ultrapassar o número de eleitores do sexo masculino pela primeira vez na história das eleições gerais na Índia.

Rahul Gandhi, jovem líder do INC, é considerado um dos responsáveis por conduzir o partido de oposição a vitórias em várias eleições estaduais. Apesar do nome, ele não tem parentesco com Mahatma Gandhi. 

O INC também formou uma coalizão nacional de partidos regionais, conhecida como Mahagathbandhan, para tentar derrotar o BJP. O resultado das eleições, segundo analisas, dependerá principalmente do resultado das articulações do INC com outras legendas na reta final da campanha.

* Com informações de Opera Mundi e NewsClick.

Edição: Daniel Giovanaz