Política

FES cobra diálogo e transparência de Ratinho Júnior

Entidade se diz preocupada com a forma como o governo está tratando a data-base

Porém.net | Curitiba (PR)

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Marlei Fernandes, coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES). / Leandro Taques

A data-base dos servidores estaduais do Paraná é primeiro de maio. Mas, até agora, o único sinal que o funcionalismo público recebeu foi de um congelamento dos salários e retirada de direitos. As declarações do governador Ratinho Júnior (PSD) e do secretário de Administração e Previdência, Reinold Stephanes, à imprensa têm sido motivo de preocupação. Nessa conversa com a coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Marlei Fernandes, ela comenta a postura do governo estadual, qual é a pauta dos servidores do estado e quais são as mobilizações programadas. Uma delas é a paralisação no dia 29 de abril.

Porém: Dá para confiar no governador Ratinho Júnior?

Marlei: Nós estabelecemos uma relação institucional. Envíamos ao governo a pauta dos servidores e não obtivemos respostas. Depois marcados reunião com o secretário de Administração e Previdência Reinold Stephanes. Ele não se pronunciou sobre nenhum item da nossa pauta. Disse que levaria ao governo. Nós também sempre debatemos o metódo. Estamos cansados de saber pelas redes sociais a posição do governo que, infelizmente, mantém a mesma postura do antecessor (Beto Richa). A gente quer uma mesa de negociação. Não dá para a gente ir em uma reunião e na semana seguinte o governo expor todos os seus posicionamentos pelas redes sociais significa desrespeito com os servidores e ao seu direito de ter seus sindicatos para representá-los. Assim como ele foi eleito, o governador deve respeitar as entidades que foram eleitas.

O governador tem dado sinais que vai congelar os salários pelo quarto ano consecutivo, dizendo que é mais importante honrar o 13o e o reajuste ficaria para 2020. Qual é a avaliação?

Nós estamos indignados com as declarações do secretário Stephanes quando fala dos nossos direitos e das nossas licenças, que são as nossas progressões e promoções. Também ficamos indignados com o governador que já foi à imprensa para dizer que não tem condições de fazer o reajuste. Já apresentamos um documento à Assembleia Legislativa do Paraná e ao secretário sobre as condições financeiras do estado para fazer nossa proposta de reajuste. Nossa inflação, em primeiro de maio, soma 16%. Mas nós estamos dispostos a debater os percentuais, seja a inflação dos últimos doze meses, que é de 4,5%. Podemos debater a recomposição do ano passado, de 2,76% até outubro. É possível o governo recompor? Vamos discutir os 8,53% restantes dos últimos três anos. Não temos problema em debater.

Como se chegou a esses 16,24%?

Esse número trata do reajuste da inflação. Nós não estamos pedindo nenhum por cento a mais de recomposição ou ganho real a mais. O que sabemos é que o estado do paraná, embora para os servidores ele desconverse, continua com as receitas crescendo. Em 2018, nós dissemos ao governo, de que era possível dar os 2,76% e chegamos ao final do ano com R$ 2 bilhões a mais de arrecadação. Recursos esses que foram distribuídos aos municípios. Nós não somos contra. O que não pode é dar um cheque para cada cidade porque tem que “gastar” o que sobrou e não respeitou a data-base dos servidores.

Edição: Laís Melo