COMUNICAÇÃO POPULAR

Seminário do Brasil de Fato aprofunda estratégias de comunicação do jornal no RS

Entidades parceiras, movimentos sociais e apoiadores participaram do encontro na sede do Sindipetro-RS, em Porto Alegre

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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"Comunicação popular em tempos difíceis - Aprofundando o Brasil de Fato RS como ferramenta de luta e resistência" foi tema do seminário. / Foto: Fabiana Reinholz

Com o objetivo de aprofundar estratégias de comunicação popular como contraponto aos atuais projetos de destruição dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras em curso no Brasil, foi realizado neste sábado (13) o seminário “Comunicação popular em tempos difíceis - Aprofundando o Brasil de Fato RS como ferramenta de luta e resistência”. O evento aconteceu na sede do Sindipetro-RS, em Porto Alegre, reunindo entidades parceiras, movimentos sociais, apoiadores e comunicadores de todo o Estado.

Contribuíram com a construção coletiva de ideias sobre o atual momento político e a comunicação o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile; o editor do Brasil de Fato PR, Fredi Vasconcellos; e o diretor de estratégia da Interlig Propaganda, Henrique Pereira. Antes de iniciar os debates, Zé Martins, do Grupo Unamérica, trouxe música ao evento e tocou o tema do Brasil de Fato RS, “Jornalismo de verdade”, de sua autoria.

Panorama do momento no Brasil

Compuseram a primeira mesa com Stédile a relatora Ezequiela Scapini (esq.), a jornalista Katia Marko e o diretor do Sindipetro-RS, Edson Terterola (dir.) / Foto: Marcelo Ferreira 

Com as provocações de João Pedro Stédile, o primeiro debate do seminário tratou do atual momento da sociedade brasileira. Antes de abrir para a participação dos demais presentes, ele destacou os desafios da classe trabalhadora contra a investida mundial do capital financeiro, que busca apropriação de todos os recursos naturais e serviços públicos para manter suas taxas de lucros exorbitantes.

“Já há sinal no fim do túnel. O atual governo não tem um projeto unitário nem uma base social que o sustente. Precisamos unificar as pautas centrais na luta de classe: contra a reforma da previdência, em defesa da soberania nacional e o tema do Lula. Mas isso só vai ser possível com a nossa força política, que se chama mobilização de massas”, avaliou o dirigente do MST.

Apoiador do Brasil de Fato desde seu lançamento no Fórum Social Mundial de 2003, Stédile salientou a importância do jornal: “Entre o primeiro e o segundo turno de 2018, editamos 7 milhões de jornais. Não havíamos tido tamanho esforço na esquerda. O Brasil de Fato não é um jornal de grupo de jornalistas iluminados, é um jornal popular que só se viabiliza se combinar bom texto e boas fotos com a luta de classes. E a luta de classes é exercida por quem está lá na trincheira”.

Aprofundando o Brasil de Fato

Debate sobre comunicação ficou a cargo do diretor da Intelig Comunicação, Henrique Pereira (esq.) e do editor do Brasil de Fato PR, Fredi Vasconcellos (dir.) / Foto: Marcelo Ferreira 

No segundo momento do seminário, foi a vez da mesa de debates com foco na comunicação. Primeiramente, Henrique Pereira tratou de estratégias de marketing para aprimoramento do jornal e das principais tecnologias em uso na atualidade, evidenciando algumas ações que fizeram diferença na campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

“Não perdemos uma eleição, perdemos uma importante batalha numa guerra híbrida, que teve como armas a espionagem, lawfare, fake news, propaganda de guerra, consenso versus polêmica, firehosing, big-data, rastros digitais, segmentação, inteligência comunicacional e gamificação”, equacionou o diretor da Intelig Comunicação, para em seguida questionar: “Neste cenário, como estamos militando? Como o Brasil de Fato pode contribuir para recuperarmos a capacidade de disputa da hegemonia?”.

O debate ainda teve a contribuição de Fredi Vasconcellos, que compartilhou a experiência do Brasil de Fato no Paraná. Na sua visão, o grande desafio é construir um projeto de popular de comunicação para milhões de pessoas, caminhando junto dos movimentos sociais. “Vejamos quem são os donos das maiores mídias no país. A direita sempre soube que tem que ser dona dos meios de comunicação, é o meio ideológico mais eficiente”, analisou.

“A entrega em mãos do Brasil de Fato é importantíssima, pois existe o diálogo com o leitor. Mas também precisamos explorar outras redes, fazer uma comunicação 360º. No Paraná, temos o impresso, o site, o rádio e as redes sociais”, contou o editor, lembrando da importância de se fazer presente no mundo da comunicação: “Mensagem é repetição. Não são ideias geniais que vêm na cabeça das pessoas. A gente tem que massificar as nossas mensagens pra quando chegarem a mentira e as fake news, que elas não evoluam”.

O 1º Seminário do Brasil de Fato RS encerrou com a intervenção dos participantes, que trouxeram suas dúvidas e ideias para aprofundar as estratégias e potencializar o Brasil de Fato como uma ferramenta de resistência a serviço da defesa dos trabalhadores e trabalhadoras.

Edição: Katia Marko