AMÉRICA LATINA

Ex-presidente peruano Alan García se mata após ter prisão preliminar decretada

Mandatário governou país por dois períodos e era investigado por escândalos de corrupção ligados à Odebrecht

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Presidente morreu nesta quarta-feira (17) após atirar contra própria cabeça / Foto: Razuri Jaime/AFP

O ex-presidente peruano Alan García (1985-1990 e 2006-2011) morreu nesta quarta-feira (17), aos 69 anos, após disparar contra a própria cabeça. O suicídio ocorreu depois que a Justiça do país emitiu um pedido de prisão preliminar contra o ex-mandatário.

Segundo informações do hospital Casimiro Ulloa, em Lima, a bala atravessou a cabeça de García, mas não o matou instantaneamente. O ex-presidente só faleceu horas depois, após três paradas cardíacas em decorrência do ferimento. 

García era investigado por dois casos relacionados à construtora brasileira Odebrecht. Desdobramentos da operação Lava Jato no Peru indicaram que a empreiteira teria pago US$ 200 mil ao ex-presidente durante a corrida presidencial de 2006, em que ele foi eleito. 

A investigação também apontou irregularidades na licitação das obras da linha 1 de metrô de Lima. García convocou uma reunião ministerial em 19 de fevereiro de 2009, após se encontrar com Jorge Barata, operador da Odebrecht no Peru. Passado um mês do encontro, o ex-presidente emitiu um decreto concedendo a licitação das obras a um consórcio composto pela Odebrecht. 

Segundo a Justiça, a prisão preliminar, que teria duração de dez dias, seria um passo anterior a uma prisão preventiva. A ação, que prendeu outros políticos próximos a García, foi realizada por considerar que o suspeito poderia obstruir as investigações. 

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Segundo autoridades peruanas, a polícia chegou em sua casa na manhã desta quarta-feira por volta das 6h25 da manhã. Após apresentar o pedido de prisão, García subiu ao seu quarto, afirmando que ligaria para seu advogado. Em seguida, os oficiais ouviram um disparo e o encontraram baleado. 

Em dezembro de 2018, o ex-presidente tentou se exilar na embaixada do Uruguai em Lima alegando ser vítima de perseguição política. O pedido de asilo, no entanto, foi rejeitado pelo presidente uruguaio, Tabaré Vázquez. 

Odebrecht no Peru

Além de García, escândalos de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht implicam outros três presidentes peruanos, comprometendo as últimas quatro gestões que governaram o país. 

De 2018 para cá, Ollanta Humala (2011-2016) foi condenado sob a acusação de lavagem de dinheiro na ordem de 3 milhões de dólares; Alejandro Toledo (2001-2006), que fugiu para os Estados Unidos para evitar sua detenção, é acusado de ter recebido 20 milhões de dólares em propina; e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), que renunciou em março do ano passado após a abertura de dois pedidos de impeachment, foi preso no último dia 12. 

Em 2016, a própria construtora assumiu que gastou ao menos 29 milhões de dólares no país para subornar políticos entre 2005 e 2014. No ano seguinte, a empresa confirmou o pagamento de 782 mil dólares à consultora Westfield Capital, empresa que tem Kuczynski como dono.

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira