ABRIL VERMELHO

MST distribui alimentos em manifestação na Central do Brasil, no Rio

Ato lembrou os 23 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, e os 16 anos da Chacina do Borel, no Rio

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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O ato "Campo e Cidade: na Luta por Direitos!" contou com a participação de sete movimentos populares da cidade além do MST / Foto: Brasil de Fato

Movimentos populares em defesa do campo e da cidade realizaram no fim da tarde de quarta-feira (17) um ato em frente a Central do Brasil, no centro do Rio de Janeiro em memória aos 23 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará e aos 16 anos da Chacina do Borel, na zona norte da capital fluminense. A atividade teve como principal proposta dialogar com as pessoas que transitavam no local sobre a importância de lutar por direitos.

Durante o ato foi realizada a distribuição de alimentos produzidos pelos assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do estado do Rio de Janeiro para a população. Banana, mandioca, vagem e cana-de-açúcar foram alguns dos alimentos doados durante a manifestação.

O ato ocorre em uma data simbólica para o MST. No dia 17 de abril a Chacina de Eldorado dos Carajás, no Pará, que tirou a vida de 21 trabalhadores rurais completou 23 anos. Em memória às vítimas, a data ficou conhecida como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Neste ano, o MST do Rio se uniu a movimentos populares da cidade, como os do camelôs e de favela. Luana Carvalho, da direção do MST no Rio, explica que a ideia da união foi fortalecer a luta por direitos, pois as violações na favela e no campo são as mesmas.

“Aqui no Rio as áreas de assentamentos estão perto das cidades de médio e pequeno porte. Para ganharmos a sociedade na defesa da reforma agrária precisamos fazer a discussão sobre a produção de alimentos. Os nossos problemas não são diferentes, a violência no campo também ocorre na cidade. A pauta da violência e da criminalização da luta e pobreza é uma pauta que atinge diretamente campo e cidade”, afirma.

Na manifestação também estavam presentes mães que perderam os seus filhos para a violência promovida pelo Estado. Maria Dalva da Silva perdeu o seu filho, Thiago Silva, assassinado por policiais militares (PMs) na Chacina do Borel. A execução dos quatro jovens em 16 de abril de 2003 foi cometida por policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar na favela do Borel, zona norte do Rio de Janeiro. De acordo com Dalva, desde 2005 o MST vem apoiado a luta por justiça para as famílias vítimas da política de segurança pública fluminense.

“Não aceitam a gente na cidade, acham que o corpo negro e pobre só deve estar encarcerado, mas temos que estar lutando para mostrar que não e que também temos o nosso direito a uma vida digna”, diz.

O ato "Campo e Cidade: na Luta por Direitos!" contou com a participação de sete movimentos populares da cidade além do MST, os participantes realizaram uma atividade cultural e também contaram juntos de um a 80 para simbolizar os 80 tiros de fuzil desferidos por militares do Exército Brasileiro contra o carro de uma família no bairro de Guadalupe. O fuzilamento tirou a vida do músico Evaldo Rosa dos Santos e deixou mais duas pessoas feridas, uma delas, o catador de material reciclável Luciano Macedo, segue internado em estado grave no hospital.

Edição: Mariana Pitasse