BALANÇO

Em meio a polêmicas, Witzel completa três meses no governo do Rio

Confira o balanço do Brasil de Fato sobre as declarações e medidas do governador eleito com apoio da família Bolsonaro

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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As conversas de bastidores do Palácio Guanabara indicam que o atual governador tem desejo de se tornar candidato a Presidência da República / Mauro Pimentel/ AFP

Eleito com um discurso em defesa do endurecimento no combate ao crime e à corrupção, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), completa os primeiros três meses no cargo com declarações e medidas polêmicas, principalmente, na área da segurança pública. 

Ao mesmo tempo em que mantém a defesa de que a polícia abata os "criminosos", o governador tenta ampliar sua presença em agendas de outros temas. Reformas da Previdência e tributária, combate à corrupção e até turismo ganham espaço entre os compromissos de Witzel nos últimos meses. 

As conversas de bastidores do Palácio Guanabara indicam que o atual governador tem desejo de se tornar candidato a Presidência da República em 2022. Por isso, Witzel tem procurado se distanciar da imagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Vale lembrar que Witzel teve um crescimento nas pesquisas e nos votos na última eleição justamente a partir da aproximação com a família Bolsonaro.  

Brasil de Fato reuniu um apanhado de declarações e medidas do governador nos três primeiros meses de governo. Confira: 

Mais mortos 

Embora o estado tenha registrado uma queda de 22,5% nos homicídios nos dois primeiros meses deste ano, o número de mortos pela polícia no Rio de Janeiro atingiu um recorde da série histórica para o período, de 305 vítimas. Em fevereiro, a Polícia Militar matou 15 numa operação em favelas do centro, numa ação sob investigação que teve apoio imediato do governador. "Nossa polícia atuou para defender o cidadão de bem", disse o governador, em fevereiro. 

Atiradores de elite 

Witzel venceu as eleições prometendo dar carta branca aos policiais e defendendo que criminosos armados com fuzis deveriam morrer com um tiro "na cabecinha". Uma promessa que Witzel vem reafirmando desde sua vitória. Ele próprio garantiu que snipers (atiradores de elite) já estão atuando. "O sniper é usado de forma absolutamente sigilosa. Eles já estão sendo usados, só não há divulgação", disse ele. "Quem avalia se vai dar o tiro na cabeça ou em qualquer outra parte do corpo é o policial", acrescentou. 

Blitz 

Witzel anunciou que não haveria mais vistoria de carros nos postos do Detran. A população protestou diante do fato de que o pagamento do IPVA, no entanto, foi mantido. Criticado, o governador voltou atrás. Mas nas últimas semanas ele retirou a Polícia Militar das blitzes de vistoria e informou que esse papel caberá a partir de agora aos agentes do Detran. 

80 tiros 

Diante da tragédia provocada por militares do Exército, que mataram no início de abril Evaldo Rosa dos Santos e quase promoveram uma chacina contra a família do músico, em Guadalupe, o governo disse simplesmente que não iria opinar. "Não me cabe fazer juízo de valor". Evaldo ia para um chá de bebê com a mulher, o filho de 7 anos, o sogro e uma afilhada do casal, quando seu carro foi alvo de 80 tiros. 

Segurança Pública 

Witzel deu fim à Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a medida foi duramente criticada por diversos especialistas em segurança pública. Segundo estes pesquisadores, o governador desmontou toda a articulação de investigação que permite o compartilhamento de dados com as polícias civil e militar e os órgãos jurídicos. 

Recuperação fiscal 

Uma das principais propostas apresentadas por Witzel para recuperar a economia do estado foi renegociação do regime de recuperação fiscal. No entanto, segue sem definição. O governador teve encontros com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o presidente Bolsonaro para debater o tema, mas nenhuma proposta para a alteração do acordo foi fechada. 

Edição: Mariana Pitasse