Liberdade

Próxima batalha jurídica de Assange será evitar extradição para os Estados Unidos

Autoridades norte-americanas têm até junho para enviar ao Reino Unido documentos que oficializam o pedido

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Fundador do WikiLeaks é mantido na prisão de Belmarsh. Processo de extradição pode durar anos / Foto: Neil Clifton/WikiMedia Commons

Detido após permanecer sete anos na embaixada do Equador em Londres, Julian Assange terá como próximo objetivo judicial evitar sua extradição aos Estados Unidos. O fundador do WikiLeaks permanece encarcerado na prisão de Belmarsh, também localizada na capital da Inglaterra. 

Os EUA têm até junho para enviar documentos ao Reino Unido formalizando o pedido de extradição. Na data da prisão de Assange, o último 11 de abril, um processo que corria em sigilo no estado da Virgínia veio a público. Na ação, ele é acusado de conspirar para invadir computadores de instituições públicas estadunidenses. 

Na imprensa internacional, se prevê que o debate legal sobre a extradição pode durar anos. Alguns casos juridicamente similares, como o do suspeito de terrorismo Babar Ahmad, demoraram quase cinco anos para serem encerrados. O muçulmano britânico de origem paquistanesa foi detido em 2008 no Reino Unido e extraditado para os EUA em 2012. 

Além das implicações jurídicas, o caso de Assange tem também uma ampla conotação política. Parte dos políticos britânicos, além de parlamentares de outros países, já manifestaram sua solidariedade ao detido.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, maior legenda de oposição no Reino Unido, afirmou que o processo dos EUA contra Assange se dá pelo fato de que o líder do Wikileaks publicou “evidências de atrocidades [cometidas] no Iraque e no Afeganistão”. 

Entenda o caso

Assange é acusado de conspirar junto com Chelsea Manning, ex-analista militar estadunidense, para invadir computadores. 

Manning foi presa em 2008, assumindo ter vazado informações sigilosas para o WikiLeaks. Em 2017, o então presidente Barack Obama concedeu perdão, suspendendo a condenação. Em março deste ano, entretanto, Manning foi presa novamente, após não responder perguntas sobre Assange. Disse apenas que ela era a responsável pelo vazamento e que escolheu o Wikileaks para publicar os documentos. 

O fato de Assange ter sido preso, e de Chelsea Manning permanecer detida, levantou questionamentos. Especula-se que as acusações contra o primeiro ainda não foram inteiramente formuladas. 

A ex-analista militar apelou da nova prisão, mas o Tribunal de Apelações negou seu pedido. Ela ainda pode recorrer ao Quarto Circuito da Suprema Corte, representada pelo ministro John Roberts. 

Assim como outras entidades, o PEN International, clube de escritores fundado no Reino Unido na década de 1920, se manifestou recentemente afirmando que as atividades de Assange estão abrigadas pela liberdade de expressão

Edição: Rafael Tatemoto