Diplomacia

Governo venezuelano articula grupo de trabalho com Brasil para reabrir fronteira

Equipe seria composta por autoridades dos dois países e começaria a trabalhar na segunda-feira (22)

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Senador Telmário Mota (PROS-RR) se reuniu com o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, para tentar restabelecer relação entre os países / Assessoria do gabinete presidencial

O senador Telmário Mota (PROS-RR) visitou Caracas, capital da Venezuela, na segunda-feira (15), onde se reuniu com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro Moros, e com o Ministro de Relações Exteriores, Jorge Arreaza, com o objetivo de reabrir a fronteira e restabelecer as relações diplomáticas e econômicas entre os dois países.

A proposta foi levada ao Senado Federal ainda na semana passada. O senador do PROS leu uma carta do presidente Maduro pedindo apoio aos parlamentares para a proposta de criação de um grupo de trabalho com autoridades de ambos países para estudar a reabertura da fronteira terrestre, fechada desde o dia 21 de fevereiro.

Os trabalhos começariam nesta segunda-feira (22) com uma reunião entre os governadores dos dois estados fronteiriços, Antonio Denarium (PSL), de Roraima, e Justo Nogueira, de Bolívar. No entanto, o Congresso Nacional ainda não destacou nomes para fazer com que o grupo arranque. Do lado venezuelano, “desde ontem (22) uma equipe diplomática já está se reunindo para pensar os temas de debate e seguir as instruções dadas pelo presidente Nicolás Maduro”, garante o vice-ministro de Relações Exteriores do país, Carlos Ron Martínez.

 





 

A decisão de fechar o passo fronteiriço entre Pacaraima (Roraima) e Santa Elena de Uairén (Bolívar – Venezuela) foi tomada como precaução pelo governo venezuelano contra o risco de entrada forçada de caminhões que carregavam uma suposta “ajuda humanitária”, desde o território brasileiro. 

Na carta enviada, Maduro também convida o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), para visitar a Venezuela e conhecer a realidade do país, destacando a intenção de normalizar a relação bilateral entre Brasil e Venezuela. 

O senador Mota avaliou o resultado da missão como extremamente positiva durante seu discurso no parlamento.

“Eu sou membro do Mercosul e presidente da subcomissão temporária que avalia a crise na Venezuela, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Nessas condições, de maneira institucional e democrática, tenho o dever de abrir o diálogo e tentar o restabelecimento das relações diplomáticas, a fim de sanar os enormes prejuízos financeiros e sociais, causados com o fechamento da fronteira, principalmente para o meu estado de Roraima”, afirmou.

Relação comercial Brasil e Venezuela 

Como a Venezuela é um país que importa cerca de 80% de tudo que consome, o que afeta, segundo dados do Banco Mundial, 31% do seu PIB, a dependência econômica com seus vizinhos é alta, mas o fechamento da fronteira e a interrupção do comércio entre as duas nações também afeta significativamente a economia brasileira. 

Segundo dados do Ministério de Indústria e Comércio, no ano de 2018, o Brasil exportou US$ 576,94 milhões para a Venezuela, correspondendo a um aumento de 22,84% em relação ao período anterior. Também obtivemos um superávit de US$ 406,06 milhões na balança comercial com a Venezuela no ano de 2018. Já nos primeiros meses de 2019, houve uma queda de 48% e o superávit, comparado ao mesmo período no ano anterior, foi de US$ 54,83 milhões.

Ainda de acordo com o gabinete do senador Telmário Mota (PROS-RR), cerca de 1500 toneladas de produtos por dia deixaram de ser vendidas pelo fechamento da ponte fronteiriça, o que representa aproximadamente R$ 5 milhões.

Outro aspecto da relação entre os dois países é a questão energética. Cerca de 80% do estado de Roraima é abastecido pelo sistema de eletricidade venezuelano e foi afetado durante os apagões que assolaram o país durante o mês de março. Segundo o governo venezuelano, por se tratar de uma sabotagem, a prestação do serviço já foi restabelecida, mas ainda sofre com instabilidade. O mandatário assegurou que, até o final do mês de abril, a oferta de eletricidade ao estado do norte do Brasil estaria totalmente normalizada. 

Para garantir o abastecimento de energia elétrica em Roraima, cinco usinas termelétricas foram acionadas, com gasto diário de aproximadamente 1 milhão de litros de óleo diesel. Além disso, nos últimos 12 meses, o governo gastou R$ 265,26 milhões dos cofres públicos para apoiar as ações militares em Roraima. 

Durante seu discurso no Senado, Mota apelou ao presidente Jair Bolsonaro: “Hoje Roraima vive à beira do colapso. Apelo que o senhor seja empregado do povo brasileiro. Eu sei da sua boa vontade, mas o povo não vive da boa vontade. O povo vive de ações concretas. Roraima grita por ações concretas”.

Roraima foi o estado em que, proporcionalmente, Bolsonaro teve a segunda maior votação nas eleições presidenciais de 2018. 

 

Edição: Aline Carrijo