Luta

Funcionalismo cobra fim do congelamento

Em audiência na ALEP, mais de 30 entidades cobraram reajuste. Governador Ratinho volta atrás e nega aumento.

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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29 de abril: A data é um símbolo da luta dos trabalhadores da educação no Paraná.  / Joka Madruga

Em audiência na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), mais de 30 entidades cobraram que seja respeitada a data-base do funcionalismo e haja reajuste dos salários, que estão há mais de 3 anos congelados. 

“Estamos completando 44 meses sem reposição e perdendo o equivalente a dois meses de salário por ano. Nem estamos pedindo aumento real. Nosso interesse é o Estado forte e que o servidor faça parte desse Estado forte com seus direitos garantidos”, destacou a integrante da coordenação do Fórum das Entidades Sindicais, Marlei Fernandes. 

As perdas são de cerca de 17% até agora e devem aumentar de acordo com o que vem declarando o governador Ratinho Jr. Mudando a postura que tinha quando era deputado estadual e votou a favor do reajuste, neste ano já declarou à imprensa que, “É muito difícil ter (reajuste). Nós já estamos no limite prudencial (da Lei de Responsabilidade Fiscal). Isso já vem de 2018, do governo passado…” 

O deputado estadual Professor Lemos (PT) defendeu a reivindicação dos servidores e ressaltou que a audiência ocorreu por petição assinada por 16 deputados. “Queremos serviços públicos de qualidade e nossos servidores precisam de salários justos. Para isso, o governo tem quem, no mínimo, respeitar a data-base”, afirmou. 

Para o presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, é lamentável a necessidade de ter de exigir um direito que oferece dignidade aos servidores públicos. “Não é possível continuar com altos índices de adoecimento nas nossas categorias e ainda ameaças pelas redes sociais de retiradas de direitos”, disse.

Greve no 29 de abril 

Segundo a APP-Sindicato, há mobilização do funcionalismo para fazer greve no dia 29 de abril. Ocorrerá manifestação em Curitiba, com caravanas de todas as regiões do estado. A concentração será às 9h na Praça Santos Andrade. Em caminhada, os servidores seguirão até o Palácio Iguaçu para pressionar o governador. 

A data é um símbolo da luta dos trabalhadores da educação no Paraná. Em 2015, centenas de professores e funcionários de escola, que participavam de uma manifestação contra a retirada de direitos, ficaram depois de serem atingidos por bombas de gás e balas de borrachas a mando do ex-governador Beto Richa (PSDB), o que ficou conhecido como “Massacre do Centro Cívico”. 

Edição: Laís Melo