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Ouça o Programa Brasil de Fato - Edição Minas Gerais 27/04/2019

Após três meses, atingidos de Brumadinho denunciam que Vale posterga negociação justa

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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/ Mídia Ninja

O rompimento da barragem em Córrego do Feijão completou três meses nesta semana, no dia 25. Além de destruir a bacia do Rio Paraopeba, a lama da Vale matou mais de 230 pessoas. De acordo com estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, realizado em março, a água do Rio Paraopeba está seis vezes mais turva do que o permitido e em 75% dos pontos, onde houve coleta de amostras, a água do rio possui qualidade considerada ruim. Além disso, a concentração de cobre chegou a 400 vezes maior do que o permitido.

Investigações realizadas pela auditoria do trabalho de Minas Gerais revelaram que a Vale sabia dos riscos desde 2002. Relatórios da empresa já apontavam, há quase 20 anos, problemas graves na estrutura da barragem em Córrego do Feijão. Além disso, veio à tona também, por meio do Ministério Público do Trabalho, que a mineradora já calculava o valor de 2,6 milhões de dólares para cada vítima, em caso de acontecer o rompimento da barragem. Familiares das vítimas fatais do rompimento se organizam para cobrar da Vale uma reparação justa dos bens e das perdas materiais. No entanto, atingidos denunciam que a empresa enrola, dificulta o diálogo e cria estratégias para pagar o mínimo possível.

Na próxima quarta-feira, é 1º de maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores. Em decisão inédita, todas as centrais sindicais do Brasil realizam manifestações unificadas. Historicamente, as centrais possuem divergências, mas reforma da Previdência, que tramita no Congresso, e os altos índices de desemprego no país, motivaram a ação conjunta. As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo também estarão nas ruas nesse dia.

 

Edição: Minas Gerais