entrevista

Governador da Bahia, Rui Costa defende união dos estados do Nordeste

Petista interpreta que o governo de Jair Bolsonaro “está desabando, antes até do que se previa”

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Governador baiano pregou a aproximação com os eleitores para que partido saia vencedor nas urnas em 2020 / Foto: Governo da Bahia

Rui Costa (PT), governador da Bahia, esteve em São Paulo na última semana e concedeu uma entrevista coletiva no Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, na região central da capital paulista. Durante o encontro, o mandatário baiano falou da aliança entre os estados nordestinos, criticou o governo de Jair Bolsonaro e defendeu uma aproximação com os eleitores para os próximos pleitos eleitorais.

Anunciado no dia 14 de março deste ano, o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste (Consórcio Nordeste) é uma aliança que permitirá os estados da região ter mais força em negociações comerciais e que troquem experiências e que cedam, sem acréscimos burocráticos, servidores equipamentos.

A presidência do Consórcio Nordeste em seu primeiro biênio será justamente de Rui Costa. O governador baiano alertou para as restrições do acordo em seu princípio. “Não adianta projetar todas as expectativas para o consórcio, que ele não vai dar conta, nesse início, de todas as dimensões, até pelas severas limitações orçamentárias, financeiras dos estados, nós vamos tentar alcançar o máximo de ações, mas não dá para projetar isso”, afirmou.

Aproximação com o eleitor

Reduto petista na última eleição, o Nordeste pode ser um ponto de partida para que o partido recupere a hegemonia política nas urnas, de acordo com o governador. “Nós precisamos voltar a fazer política no Sul, no Sudeste, nas cidades. Precisamos entrar para disputar, com muita força, ano que vem, fazer disputa nas eleições municipais no Centro-Oeste, no Sudeste, e precisamos encontrar formas de voltar a dialogar, de apresentar propostas para voltar a construir a hegemonia no nosso país.”

Para Rui Costa, para que o resultado nas eleições em 2020 seja mais positivo, o eleitor precisa “sentir maior proximidade com a classe política”. “Não vamos começar pelo fim. Em vez de estar brigando pra ver quem junta mais crachá na convenção, vá botar o pé na lama, vá se misturar com o povo. Precisamos voltar a fazer convencimento. Subir o morro, descer a baixada”, defendeu o governador.

O governador baiano teve a reeleição mais confortável do país, com 78% dos votos. Rui Costa, que perdeu em apenas três dos 417 municípios do estado, afirmou que para garantir a fidelidade do eleitor, tem ido ao seu encontro. “A cada três dias de governo, passo um no interior. Já são 500 visitas institucionais”, aponta o mandatário, que também contabiliza 400 visitas em escolas. “Ouço muito desaforo dos meninos ainda. Mas isso era o que pregávamos no início do PT.”

Debate permanente da política nacional, a violência urbana é alvo também de Rui Costa. O governador afirmou que seu governo se preocupa com a prevenção à criminalidade e que, portanto, busca formas de garantir ocupação profissional aos jovens baianos. “Nós, além dos investimentos na educação, criamos alguns programas para inclusão da juventude. Criamos o programa Primeiro Emprego, que hoje deve ter carteira assinada lá cerca de oito mil jovens, os 1.500 na iniciativa privada, o resto no setor público do Estado.”

“Vai criticar o quê?”

Durante o encontro com jornalistas, que durou aproximadamente duas horas, Rui Costa também analisou a gestão de Jair Bolsonaro e criticou a relação do governo federal com a Bahia. “O tratamento é idêntico (ao de Michel Temer). Era ruim, continua do mesmo jeito”.

Perguntado sobre uma possível desarticulação do campo progressista, Rui Costa afirmou, em tom de brincadeira, que é “difícil fazer oposição diante do vazio completo de ideias” do governo Bolsonaro. “É ausência absoluta, vai criticar o quê?”, finalizou o petista.

Edição: Tayguara Ribeiro