ARTICULAÇÃO

Frente em Defesa da Ciência, Pesquisa e Tecnologia é lançada em Minas Gerais

Com maior número de universidades federais do país, estado teme impacto do corte de verba nas instituições

Belo Horizonte

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Das 68 universidades federais 12 estão em Minas Gerais / Divulgação ALMG

Em resposta ao corte de 30% no orçamento das universidades brasileiras, anunciado no último dia 30 pelo atual ministro da educação, Abraham Weintraub, instituições de ensino e pesquisa, sindicatos, estudantes e parlamentares criam Frente em Defesa da Ciência, Pesquisa e Tecnologia.

A articulação foi lançada nesta terça-feira (7), durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O evento contou com a participação de diversos representantes de instituições de ensino e pesquisa de todo o estado. O requerimento para criação da Frente foi assinado por 75 dos 77 deputados da ALMG.

Sandra Goulart, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ressaltou que o estado sedia 12 das 68 universidades federais do país. Ela destacou que os cortes vão prejudicar não só a comunidade acadêmica, mas toda a população. “O desenvolvimento científico é uma grande oportunidade para sairmos da crise fiscal. Não tem como pensar em enfrentar a crise sem investir em ciência e tecnologia”, defende.

Em resposta à alegação do ministro de que os cortes no orçamento das instituições seriam para evitar “balbúrdia”, Sandra afirmou “As universidades são locais de pensamento crítico. Precisamos lutar não só pela continuidade das instituições como também pela continuidade do projeto de valorização da educação brasileira”.

Além de impactar diretamente na arrecadação do estado, o corte na receita das universidades também vai prejudicar os municípios mineiros, que já estão com dificuldades orçamentárias. O professor e pró-reitor de Pesquisa da Universidade Federal de Lavras, Teodorico de Castro, destacou que de 2006 a 2016 a cidade (que tem aproximadamente 100 mil habitantes) arrecadou cerca de R$ 2,1 bilhões. No mesmo período, a receita da UFLA foi de R$ 2,7 bilhões. “Esse corte vai impactar de maneira significativa as cidades que sediam essas instituições. Os recursos investidos nas universidades são injetados direta e indiretamente nos municípios.”

Além da audiência pública realizada na ALMG, professores, reitores e estudantes também organizaram uma Marcha pela Ciência e diversas atividades de conscientização da importância do setor e de denúncia aos ataques sofridos.

Outras ações

A Comissão de Educação da ALMG também articula outra medida em defesa da educação. Estão previstos ciclos de debates para a criação do primeiro Plano Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais.

Mobilizações

A próxima agenda de mobilizações contra o desmonte da educação brasileira será a Greve Nacional da Educação, marcada para o dia 15 de maio. Em Belo Horizonte, os manifestantes vão se reunir na Praça da Estação às 9h30.

As cidades de São Paulo e Brasília também vão realizar nos dias 8 e 9 de maio a Marcha pela Ciência. A manifestação é organizada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC.

Edição: Joana Tavares