Opinião

Artigo | Direitos às diversas gentes, de mãos dadas contracorrentes

Neste momento de tantos ataques e retrocessos, em particular no campo da Reforma Psiquiátrica, propomos o enfrentamento

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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"A coragem nos pauta. O orgulho do que construímos nos dá forças" / Foto: Mídia Ninja

Quando, em 1987, surgiu o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial e sua insígnia “Por Uma Sociedade Sem Manicômios”, fomos convocados a construir um novo olhar da sociedade sobre a loucura, intervindo numa lógica secular, fundamentada no preconceito e na exclusão. Enfrentamos o hospício, idealizamos uma rede de atenção substitutiva ao manicômio, elaboramos e aprovamos leis de reforma psiquiátrica, desconstruímos saberes autoritários e os trocamos por interdisciplinares, intervimos na cultura transformando posições obsoletas e retrogradas em discursos e pensamentos solidários, enfim, garantimos direitos de cidadania àqueles historicamente cerceados em sua liberdade e autonomia.

Desde então, a beleza de toda essa conquista manifesta-se publicamente nas comemorações do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o já famoso 18 de maio, festejado em todo o Brasil, das mais diversas formas e maneiras mas sempre convidando a cidade a testemunhar a força de uma idéia, a potência de uma criação e a ousadia de um fazer coletivo.

Em Belo Horizonte, construímos algo singular para presentear a cidade a cada 18 de maio, que é o desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda Que Tam Tam, cujo tema neste ano de 2019, inspirou-se na palavra de ordem que viralizou logo após a última eleição presidencial: “ninguém solta a mão de ninguém”. Delimitando com quem queremos andar juntos na luta contracorrentes.

Neste momento duro e sofrido da nossa história, com tantos ataques e propostas de retrocessos, em particular no campo da Reforma Psiquiátrica, o Fórum Mineiro de Saúde Mental e a Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais propõem o enfrentamento. E sem recuos e sem concessões queremos abraçar solidariamente as mais diversas causas na luta pelos direitos de diversas gentes:  loucos, usuários de drogas, sem terra e sem teto, índios, negros, mulheres, LGBTQI e ativistas.  Todas e todos que hoje são alvo do ódio e intolerância das pessoas que se negam a conviver com a diferença e a diversidade.

A coragem nos pauta. O orgulho do que construímos nos dá forças. Venham participar da resistência conosco. Já nos adverte o poeta: “Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”.

Serviço

Data: 17 de maio (sexta-feira)

Local da Concentração: Praça da Liberdade

Horário: 14h

Trajeto: Praça da Liberdade – Av. João Pinheiro – Av. Afonso Pena – Rua Espírito Santo – Rua dos Tupinambás – Av. dos Andradas – Praça da Estação (dispersão).

Miriam Abou-Yd é médica psiquiatra, psicóloga, militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental, da Frente Mineira Drogas e Direitos Humanos e Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA).

Edição: Elis Almeida