ENTREVISTA

Entrevista com os Sindicatos: Francisco Demontier do Sintricom – PB

O BdF conversa com Presidentes de Sindicatos de luta no mês do trabalhador. Confira.

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Francisco Demontier - Presidente do Sintricom - PB
Francisco Demontier – Presidente do Sintricom – PB | Crédito: (Foto: Cida Alves)

O Sindicato dos  Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário (Sintricom – PB) é mais um dos nossos entrevistados no mês de maio. Na conversa, Francisco Demontier discorre sobre as dificuldades e vitórias da categoria, além de analisar a conjuntura do governo de ultra-direita de Jair Bolsonaro para a classe trabalhadora brasileira.
Brasil de Fato – Qual a atual situação da categoria de trabalhadores da indústria da construção civil?
Demontier: Hoje nós vivemos numa situação de muita preocupação. Depois do advento da “deforma” trabalhista, nós estamos passando por grandes dificuldades, a situação que já era preocupante e precária piorou e estamos com grande dificuldade de fechar a nossa convenção coletiva que se arrasta desde novembro de 2017 e até agora nós não tivemos. E na nossa base fica a dificuldade de negociação justamente por conta da implantação, na íntegra, da reforma trabalhista que nós não aceitamos da forma como ela aconteceu. Temos a questão das homologações que até agora nós não entendemos por que as empresas não aceitam vir trazer as contas dos trabalhadores para que o sindicato confira no ato da homologação, temos detectado prejuízo na questão dos fundo de garantia na própria rescisão, muitos pagamentos com atraso, as empresas descumprido os prazos. E agora temos a nova previdência que aí é outra deformação para a classe trabalhadora como um todo; nós dizemos sempre para o trabalhador que não é só a questão de aposentadoria, porque ela é um tripé – trabalhador, empregador e governo, e realmente da forma como ela vem é mais pra prejudicar, lógico, o trabalhador porque tirando a contribuição patronal e tirando a parte do governo, o trabalhador não vai ter onde se apegar. E ela passa a ser capitalista e não mais seguridade. 
Bdf – O que os trabalhadores podem fazer para barrar essa Reforma da Previdência?
Demontier: Olha o único instrumento de luta que nós temos, classe trabalhadora, é realmente enfrentar e procurar entender que está sendo feito a toque de caixa, e a gente não pode aceitar essa barbaridade esse atropelo, essa truculência, e uma forma de nós barrarmos é, primeiramente, pressionar os nossos parlamentares. O trabalhador sabe que o instrumento dele é paralisar ir pras ruas fazer paralisações e realmente dizer nós estamos aqui, a gente não aceita essa reforma da previdência e a trabalhista, que lógico, já passou nas escondidas, em paralelo e sem debate nenhum. E eu acho que deveria fazer uma reforma na questão das contribuição de quem tem mais, quem tem que pagar mais são os banqueiros, então a gente sabe que quem mais ganha nesse país não paga imposto, e realmente os privilegiados são o judiciário, deputados, senadores; devemos taxar as grandes fortunas e cobrar realmente de quem deve da previdência.
Bdf – O que significa o governo Bolsonaro para o povo brasileiro, os trabalhadores?
Demontier: uma tragédia, infelizmente. Lógico que a gente não torce para quanto pior melhor, mas infelizmente ele aproveitou o ódio que a mídia semeou contra o partido dos trabalhadores contra os partidos de  esquerda, e infelizmente nós fomos derrotados, inclusive com o voto do trabalhador – muitos trabalhadores embarcaram nessa onda da mídia, e infelizmente a gente perdeu, e é uma grande tragédia para o nosso país que tinha uma grande perspectiva, das maiores economias do mundo, chegamos a atingir a oitava economia, estavam aí prestes a chegar a ser a quinta economia do mundo com investimentos em tecnologias, na indústria naval, aviões, tudo isso, tínhamos aí um projeto de governo que vinha dando certo, mas infelizmente a elite não aceita o pleno emprego. Ela quer um exército de pessoas que fiquem abaixo do pé da casa grande porque ela não aceita que a senzala respire.
Bdf: Quais são os principais pontos terríveis que o governo Bolsonaro traz para o povo brasileiro?
Demontier: Olha um dos principais pontos é na questão da segurança. Estamos vendo aí que não tem projeto de segurança; armar o povo não é seguridade nenhuma, causa mais violência, isso é notório. As universidades também, ele está tirando os investimentos, porque o país não cresce se não tiver investimento. Nenhuma economia, nenhum país do mundo, se você não investir em tecnologia, e investir em educação. Então estão perdendo todas as nossas riquezas, petróleo, pré-sal, a Amazônia, entregou a base de Alcântara, no Maranhão, pros Estados Unidos, sem nenhuma contrapartida. E também o desejo de confrontar com países como China e Argentina e os países árabes que é quem realmente investe bilhões e bilhões de dólares no nosso país, nós que éramos neutros, bem vistos a nível mundial, e hoje vivemos aí uma vergonha com um presidente que foi praticamente expulso de várias localidades.
Bdf: Vocês tiveram uma vitória na triplicação da BR de Cabedelo. Eu queria que você falasse sobre isso mas também me dissesse quais são as principais lutas encampadas pelo sindicato, hoje, aqui na Paraíba.
Demontier: Os canteiros de obras são uma das nossas principais lutas; transformar os canteiros no máximo de dignidade possível, com segurança do trabalhador. E a triplicação da estrada de Cabedelo foi uma conquista dos trabalhadores, porque mesmo com a dificuldade das negociações que nós estamos tendo até hoje, foi divulgado um percentual de 5,5% e as empresas que estão no consórcio, elas estavam resistindo para não pagar este percentual com a desculpa de não termos convenção. Na verdade não temos convenção mas o percentual foi consensual e aceito pela classe trabalhadora. Cerca de 700 trabalhadores deram aval dos 5,5% e autorizou o sindicato a confeccionar as tabelas e divulgamos nas empresas, distribuímos, mas a empresa resistia a cumprir, mesmo tendo essa determinação do próprio sindicato, o Sinduscon, que também representa a classe patronal, mesmo assim eles não queriam cumprir, mas foi uma grande vitória dos trabalhadores. Houve uma paralisação de aproximadamente três horas e chegou-se a um consenso de que a empresa a partir dali iria reconhecer e pagar.
Bdf: Os trabalhadores têm algo a comemorar neste 1º de maio?
Demontier: Não temos nenhuma conquista a comemorar neste 1º de maio, que é um dia de luta, de refletir sobre a situação, pela conjuntura e pelas derrotas que nós trabalhadores tivemos nesse período. 

Editado por: Cida Alves

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