Minas Gerais

Alerta

Surto de dengue pode ter sido agravado por crime da Vale em Brumadinho (MG)

Fundação Fiocruz já havia alertado, em fevereiro, que o rompimento poderia levar a aumento nos casos de doenças

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG) |
De acordo com professor, se não forem prevenidas, ainda podem aparecer doenças como chikungunya, zica, febre amarela e doenças mentais
De acordo com professor, se não forem prevenidas, ainda podem aparecer doenças como chikungunya, zica, febre amarela e doenças mentais - Foto: EBC

Os registros de dengue em Minas Gerais surpreenderam neste ano. Já são 209 mil casos suspeitos de dengue no estado, segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Este número representa um aumento de 1.200% em relação a 2018, quando até a mesma data foram registrados 17 mil casos.

A situação acende novamente o alerta sobre as consequências do rompimento da barragem da Mina Feijão, em Brumadinho. No início de fevereiro, a Fundação Fiocruz lançou um relatório alertando para um possível surto de dengue, febre amarela e esquistossomose na região. Um dos indícios da relação é que Betim foi a cidade com maior número de mortes confirmadas (nove) no estado e fica a apenas 10 quilômetros do Rio Paraopeba.

Falta de água e matança dos predadores

Um dos motivos que podem ter agravado o surto de dengue é o corte de abastecimento de água e a contaminação do Rio Paraopeba. O professor Christovam Barcellos, coordenador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, explica que é comum que a população guarde água quando tem medo ou de fato falte fornecimento. “O que pode ter acontecido é que tenha faltado água, principalmente em Betim”, diz.

José Geraldo Martins, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e morador de Brumadinho desde o rompimento, conta que tem percebido um aumento de relatos de dengue na região, principalmente entre as pessoas que moram nas margens do rio. Este fato, segundo ele, é confirmado por enfermeiros, médicos e profissionais da saúde.

Ele acredita que o surto está mais relacionado à morte do Paraopeba e dos animais que habitavam o rio. “As populações ribeirinhas encontram tamanduás, muitos macacos e cachorros mortos. Ao mesmo tempo, você não ouve o coaxar de nenhum sapo, você não vê peixe. E são os peixes, sapos e alguns insetos que fazem o controle da população de Aedes Aegypti, porque eles se alimentam das larvas do mosquito”, afirma.

Prevenção: ainda é preciso

O surto de dengue acontece em mais seis estados, além de Minas Gerais, o que mostra que o rompimento em Brumadinho pode ter intensificado o surto, mas não criado. O professor Christovam acredita que, já sabendo disso, o governo deveria ter investido em prevenção. “Infelizmente, o governo enfatizou muito os desaparecidos e mortos, mas além deles existem os deslocados e os afetados. É com esses grupos que estamos preocupados, pois eles são milhões de pessoas”, argumenta.

De acordo com o professor, se não forem prevenidas, ainda podem aparecer doenças como chikungunya, zica, febre amarela, doenças mentais e respiratórias.

No Rio Doce, surto de febre amarela

A Fiocruz também tinha alertado para um surto de doenças infecciosas após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Em 2017 o estado chegou a ter 1.700 suspeitas de febre amarela, das quais 435 se confirmaram. A fundação afirma que um dos principais motivos teria sido a matança de animais predadores dos mosquitos que transmitem a doença, sendo o principal deles o Aedes Aegypti.

Edição: Elis Almeida