Coluna

Economia ladeira abaixo: quando cortar gastos gera mais corte dos gastos

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15 de Maio de 2019 às 13:45
Frente à nova previsão de crescimento negativo, governo Bolsonaro prepara um corte adicional de R$ 10 bilhões aos cortes de gastos públicos / Marcos Santos/ USP Imagens
Projeto de austeridade fiscal tem colocado nossa economia no fundo do poço

Os principais jornais brasileiros têm dado ênfase ao debate da resiliência da economia brasileira em voltar a crescer. Muita gente acreditou que bastava ter um presidente conservador com um ministro aclamado pelo “deus” mercado para a economia sair do buraco.

Ocorre que a economia brasileira vai de mal a pior desde os desacertos do governo Dilma, em 2015, quando a Presidenta – por pressões da polarização política – resolveu adotar parte do receituário liberal de cortar gastos em uma economia em desaceleração.

Desde 2015 que ouvimos a ladainha de que bastam cortes de gastos e reformas para retomar a “confiança” do mercado e do investidor voltar a investir. Os sucessivos Ministros da Fazenda, em geral, nos dão prazos curtos: ajustando as contas públicas, no próximo trimestre teremos crescimento econômico. O mesmo Joaquim Levy que foi um dos responsáveis por ter realizado o ajuste fiscal que fez a taxa de desemprego subir de 6,5% para 12% em menos de um ano, afirma que “com reforma da Previdência, o Brasil deve voltar a crescer a ritmo de até 3% ao ano”.

As projeções para o PIB do primeiro trimestre de 2019 já foram revistas 10 vezes – para baixo. E o resultado do indicador que antecede o resultado final do PIB mensal dá o tom da profundidade da crise. 

A novidade é que parece que a equipe econômica do governo não entendeu nada! Frente a essa nova previsão de crescimento negativo, o governo Bolsonaro prepara um corte adicional de R$ 10 bilhões aos cortes de gastos públicos já realizados! Isso só aprofundará a crise, colocando outra vez a economia brasileira em recessão (e três trimestres seguidos de PIB negativo).

Isso porque quanto mais se contrai a renda na sociedade – através de contingenciamentos no investimento, nas políticas sociais e nos demais gastos públicos – menores são as possibilidades de consumo da população, uma vez que o Brasil sofre de ausência de demanda por mercadorias e serviços, o que desestimula o investimento dos empresários e leva a mais desemprego. 

PIB= C+G+I+(M-X)

Vejamos a composição do cálculo do PIB: ele é composto pela soma do consumo (C) com os gastos do governo (G), com os investimentos públicos e privados (I) mais a diferença entre a exportação e a importação (X-M).

Ou seja, se o PIB é a soma de todos esses itens e se eles estão em retração (investimento) ou congelados (gastos do governo) ou ainda em queda (consumo) então não tem mesmo como ter crescimento econômico.

Estávamos caindo na armadilha econômica na qual o corte de gastos do governo e a ausência de políticas de estímulo à atividade econômica geram mais desemprego, menos investimento e contraem o consumo, o que gera menos arrecadação fiscal ao Estado e, logo, mais necessidades de corte de gastos.

Resumindo: esse projeto de austeridade fiscal tem colocado nossa economia no fundo do poço, adiando – mais uma vez – nosso sonho de ter um futuro no qual estejam presentes o direito ao acesso ao trabalho, a educação e a saúde.

 

Edição: Daniela Stefano