É preciso cuidado na hora de investir numa dieta low carb

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É importante discernir quais são os carboidratos bons e os ruins
É importante discernir quais são os carboidratos bons e os ruins - Melhor com Saúde
Não é só retirar o carboidrato!

Entre as dietas da moda para perder peso está a low carb, que propõe uma redução no consumo de carboidratos. Famosa por emagrecer de forma rápida, a dieta chamou a atenção de nutricionistas por seu uso indevido, que pode acarretar em uma série de malefícios para a saúde. 

A dieta low carb, diferente do que muitos pensam, precisa de acompanhamento de um profissional e não consiste apenas em deixar de comer os carboidratos.  A nutricionista Fernanda Rodrigues destaca que as dietas precisam equilibrar o consumo de nutrientes: “digamos que temos 100% das calorias que precisamos comer durante o dia. A recomendação geral, é do consumo de carboidratos vá de 45% a 65%. As dietas low carbs possuem, na sua distribuição, um valor que seja abaixo dessa recomendação, de 45%. Em muitas das dietas, as recomendações são menores que 30%, às vezes até 20% do valor total energético total, então essa organização alimentar para suprir as necessidades energéticas do indivíduo, que está nessa dieta, vai precisar contar com o aumento da proteína e da gordura”.

A nutricionista comenta também que as pessoas costumam ter um conceito incorreto do funcionamento do carboidrato no nosso corpo, e que esta é uma dieta desbalanceada pode prejudicar os músculos: “não são cálculos simples e não é só retirar o carboidrato. Muitas vezes, as pessoas apenas tiram os carboidratos e não adequam os outros macronutrientes. O principal objetivo do carboidrato é fornecer energia para as nossas células e todas elas precisam de glicose para funcionar. E quando se restringe essa energia, o corpo desenvolve um mecanismo de retirar essa energia de outros lugares, como dos músculos”. 

Os mitos sobre os carboidratos são muitos. Por causa de absurdos como dizer que a ingestão de carboidratos alimentam tumores de pessoas com câncer ou que seu consumo desacelera a atuação da quimioterapia. Fernanda conta que o INCRA, o Instituto Nacional do Câncer, criou uma campanha para desmentir mentiras a respeito da relação entre a doença e o alimento: “eles quebram esses mitos colocando que perder peso e músculo de forma não intencional pode gerar prejuízos no corpo durante o tratamento. Ressaltam também que até o momento, não existem evidências científicas suficientes que confirmem que cortar carboidratos ajude a eliminar um tumor em humanos.  Também não é verdade que se comer carboidratos durante o tratamento da quimioterapia, ela não vá funcionar direito. Ainda não existem orientações científicas a respeito disso”. 

Fernanda destaca, ainda, que a dieta low carb não necessariamente traz uma alimentação saudável para a pessoa que a escolhe: “para muitas pessoas, é uma situação de radicalismo ou muito terrorismo nutricional. E essas dietas que restringem carboidratos, além da dificuldade de serem mantidas equilibradamente, não promovem por si só que as pessoas adotem  uma alimentação adequada. É importante que seja feita com muita responsabilidade, quando a pessoa toma essa decisão, e que seja muito bem orientada”. 

Um estudo encomendado pela OMS, a Organização Mundial de Saúde, alerta que dietas baseadas na diminuição excessiva de carboidratos afetam a saúde.

De acordo com o líder da pesquisa, Jim Mann, professor da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, uma dieta rica em fibras e carboidratos tem um efeito protetor enorme a uma série de doenças, incluindo diabetes e doenças cardiovasculares.
 

Edição: Katarine Flor