MOBILIZAÇÃO

100 mil nas ruas: manifestantes pedem por educação e aposentadoria no Rio de Janeiro

O segundo dia de manifestações mobilizou também milhares de pessoas em cerca de 150 cidades localizadas em 22 estados

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

,
Cerca de 100 mil pessoas se reuniram na Candelária, no centro, e seguiram em caminhada até a Cinelândia nesta quinta-feira (30) / Jaqueline Deister

O segundo dia de manifestações em defesa da educação pública e contra a reforma da Previdência, identificado nas redes sociais como 30M, mobilizou milhares de pessoas em cerca de 150 cidades localizadas em 22 estados. O Rio de Janeiro foi um deles. Na capital, mais de 100 mil pessoas se reuniram na Candelária, no centro, e seguiram em caminhada até a Cinelândia nesta quinta-feira (30), onde permaneceram concentradas até o fechamento desta reportagem.

O clima da manifestação foi muito aproximado com o protesto anterior, contra os cortes orçamentários na área da educação, que aconteceu durante o último dia 15. Estudantes secundaristas, universitários, professores e familiares estiveram presentes. Além da educação, os cartazes e as falas no carro de som tiveram como tema o posicionamento contrário à reforma da Previdência.

“A gente entendeu que era fundamental colocar esse dia 30 como um segundo ato em defesa da educação e contra a reforma da Previdência também porque é importante não esquecer esse retrocesso que o governo quer nos impor. Além disso, estamos entendendo esse ato como um esquenta para a greve geral, que vai acontecer no próximo dia 14”, explicou Leonardo Guimarães, da União Nacional dos Estudantes (UNE).  

Cotas

Outro tema de destaque na manifestação do Rio de Janeiro foi a luta pela manutenção do sistema de cotas implementado nas universidades públicas a partir de 2004. O protesto é uma resposta ao projeto de lei de autoria do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), apresentado neste mês, que tem por objetivo acabar com a reserva de vagas para negros nas universidades estaduais.  

Para a professora Cláudia Vitalino, que também é membro da União de Negros pela Igualdade (Unegro), as cotas e a educação pública são direitos conquistados que não podem ser apagados. “O sucateamento das escolas e universidades é um retrocesso para nós que conseguimos chegar nesses espaços há pouco tempo. O caminho para a população pobre, favelada e negra sair da margem da sociedade é através da educação. Nós chegamos até a universidade não como privilégio mas como direito”, acrescentou.  

A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) foi a primeira universidade do país a criar o modelo em vestibulares para cursos de graduação por meio de uma lei estadual que estabelecia 50% das vagas para alunos egressos de escolas públicas, em 2004. Após 15 anos, o sistema fez com que o percentual de negros que concluíram a graduação passasse de 2,2%, em 2000, para 9,3%, em 2017, em todo o país, segundo Ministério da Educação (MEC).

Educação básica

Além das pautas que dizem respeito às universidades, estudantes da educação básica também estiveram presentes em massa no protesto para lembrar que o bloqueio de bilhões de reais promovido pelo Ministério da Educação também atingiu  a verba destinada à educação básica, creches e pré-escolas.

Segundo consta no sistema de Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, cerca de 30% da verba usada para infraestrutura de escolas do ensino básico foram congeladas. Ou seja, R$ 273 milhões que eram destinados à manutenção, reforma e compra de móveis para as unidades foram cortados.

“Nós somos estudantes e como todos queremos defender a escola pública em todo o país. Eu estou em todas as manifestações e meus colegas também. Nós estamos fazendo debates lá na escola sobre os cortes”, explicou Sofia Emanuelle, de 16 anos, estudante do Colégio Estadual Julia Kubitschek, localizado na região central da cidade, enquanto carregava uma placa com os dizeres: “Marielles sementes, estudantes presentes”.

*Com informações de Jaqueline Deister

Edição: Mariana Pitasse