EMPREGO

No campo e na cidade, economia solidária é alternativa à precarização do trabalhador

Conheça iniciativas que estão indo na contramão da "uberização" do emprego

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Mulheres do Preventório, em Niterói, fazem objetos de artesanato e geram renda / Reprodução

O crescente desemprego provocado pela reforma trabalhista de Michel Temer (MDB) e pela falta de ações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) vem aumentando a precarização dos postos de trabalho, fenômeno que vem sendo chamado de “uberização”. Na contramão desta tendência, diversos movimentos populares e coletivos tentam driblar os efeitos para a classe trabalhadora do Brasil pós-golpe.

Um deles é o grupo Mulheres Artesãs do Preventório (MAP), em Niterói, no Rio de Janeiro. O coletivo faz artesanato para eventos e empresas e dá trabalho a moradoras e pessoas de fora da comunidade. “É uma alternativa, porque a maioria delas está desempregada. Quando ganham um dinheirinho, vão direto ao supermercado ou pagam as contas. Não é um trabalho fixo, funciona de acordo com os pedidos, mas é bom saber que estamos fazendo algo para ajudar”, conta Maria de Fátima Lima, uma das mulheres que está à frente do grupo.

Com cerca de 12 mil moradores, sendo uma das maiores comunidades de Niterói, é lá que também funciona o Banco Comunitário do Preventório. Criado há nove anos, o banco tem uma moeda social de circulação local e o microcrédito para empreendimentos no morro e nos locais do entorno.

“É um trabalho em rede que apoia as pessoas que deveriam ser prioridade das políticas públicas. Essa parcela que está na economia solidária e popular é a base da nossa economia, são pequenos trabalhadores em grupos, famílias ou individuais que mantêm a riqueza do país”, lembra Marcos Rodrigo Ferreira, um dos criadores do banco.

A proposta da chamada economia solidária é estimular o consumo local e consciente. Sem a relação patrão-empregado, os cidadãos e cidadãs colocam em funcionamento o regime de autogestão do trabalho.

Agroecologia

No setor agroecológico, um dos exemplos é o do Coletivo Alaíde Reis, formado por famílias dos assentamentos Roseli Nunes, Terra da Paz e Irmã Dorothy, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região Sul Fluminense. A produção gera emprego para quase 20 famílias.

“São alimentos produzidos de forma saudável e diversificada, como grãos, raízes, verduras, legumes e a criação de pequenos animais”, conta Amanda Matheus, que produz na região e integra a direção do MST no Rio de Janeiro.

Os alimentos são vendidos e entregues em municípios como Volta Redonda e Seropédica e em locais como o Espaço de Comercialização Terra Crioula e no Armazém do Campo, ambos na Lapa, no centro do Rio.

Economia criativa

Presidente da Frente Parlamentar de Economia Popular Solidária da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o deputado Waldeck Carneiro (PT) disse que é preciso pensar alguns setores da economia solidária e popular como parte da chamada economia criativa, que engloba atividades humanas, gestão cultural e criação.

“Atividades que estão na confluência entre economia criativa e economia popular, como o caso do artesanato, precisam ser colocadas em evidência, de forma que não haja visões preconceituosas e para buscar entender pontos de confluências daqueles que militam no campo das políticas públicas e no campo da economia solidária”, afirma o parlamentar.

 

Edição: Vivian Virissimo