ARTE PERIFÉRICA

Grupo de teatro Rosas Periféricas (SP) faz campanha de financiamento coletivo

Grupo do bairro São Rafael quer viabilizar apresentação em festival internacional em Portugal

No audio source provided.
Imagem do espetáculo Labirinto Selvático, de 2016 | Crédito: Divulgação

“Nós, periféricas e periféricos, não somos feitos só de anonimato, trabalho e violência. Somos muitas coisas mais. Nosso teatro é só mais uma delas”, diz a descrição do financiamento coletivo promovido pelo grupo de teatro Rosas Periféricas  para viabilizar a apresentação de seu espetáculo “Labirinto Selvático” no Festival Internacional de Teatro em Setúbal, Portugal. 

Oriundo do Parque São Rafael, no extremo sudeste da cidade e em atividade desde 2009, o grupo começou ensaiando em praças, escolas, espaços concedidos e na casa de uma integrante do grupo. Logo, perceberam que precisavam contar as histórias das pessoas do bairro: "ver no colega de cena e também no espectador o mesmo rosto familiar” para cativar um público periférico que não tem o costume de atravessar a cidade para ir ao teatro", explica o texto da vaquinha virtual. 

"A gente sempre toca nas questões do machismo, do racismo, do preconceito, do que é ser um sujeito periférico e dos problemas que a gente enfrenta da ponte pra cá", diz Michele Araújo, que é produtora e atriz do grupo. “Nós acreditamos na arte como um meio de transformação. Assim como ela transformou nossas vidas, ela pode transformar a vida de outras pessoas. Então [o festival] vai ser também uma questão de visibilizar a arte periférica”, diz ela.

Apesar das dificuldades que se colocam para um grupo que, como a própria descrição diz, não pertence “ao circuito de grupos de teatro de artistas conhecidos pela grande mídia, nem de formados pela Escola de Arte Dramática da USP”, o Rosas Periféricas conseguiu vencer um concurso promovido pela Associação de Teatro Estúdio Fonte Nova, e agora terá a oportunidade de encenar um de seus espetáculos em um grande evento internacional. 

"A gente começou a vender rifas, vamos fazer uma festa junina para levantar recursos e estamos fazendo esse financiamento coletivo. São oito pessoas. Quatro passagens os atores e atrizes vão pagar de recursos próprios. O financiamento coletivo vai pagar essas quatro outras passagens", explica ela. Para custear o restante do transporte, o grupo está pedindo R$ 16 mil reais, com recompensas como oficinas, vídeos de agradecimentos para quem ajudar.

Para colaborar, acesse a página de Catarse do Rosas Periféricas.

Editado por: Pedro Ribeiro Nogueira

|

Newsletter