Unidade

Parlamentares marcam posição e apoiam plataforma de movimentos agrários e ambientais

Seminário Terra e Território: Diversidade e Lutas reúne mais de 50 organizações para reafirmar luta comum

Brasil de Fato | Guararema (SP) |
Deputados federais do Partido dos Trabalhadores estiveram presentes no encontro, que acontece na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF)
Deputados federais do Partido dos Trabalhadores estiveram presentes no encontro, que acontece na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) - Foto: José Eduardo Bernardes/Brasil de Fato

Entre os mais de 300 participantes do Seminário Terra e Território: Diversidade e Lutas, realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), parlamentares de esquerda reforçaram o compromisso com a luta dos movimentos populares e sindicais, intelectuais, gestores públicos e demais organizações ligadas a temas agrários e ambientais.

O encontro, que acontece entre os dias 6 e 8 de junho em Guararema (SP), tem o objetivo de construir uma ampla articulação em defesa da soberania nacional, e lança neste sábado (8), em um ato político uma carta de compromissos com o povo brasileiro e o meio ambiente.

O deputado Nilto Tatto (PT-SP), um dos presentes, alerta que uma agenda de retrocessos sociais e ambientais tem sido posta em prática pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). Para o parlamentar, o cenário exige duas tarefas: compreender os desafios brasileiros e trabalhar em unidade. 

“É um momento de entender o que estamos vivendo para poder conjugar e construir plataformas e ações conjuntas”, defende Tatto ao se referir à ampla articulação agrária e ambiental construída ao longo dos debates no seminário.

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Um dos temas presentes no encontro é a defesa da alimentação saudável. O governo federal, no entanto, tem batido recordes na liberação de agrotóxicos. De janeiro até maio, 169 registros foram validados pelo Ministério da Agricultura, liderado por Tereza Cristina. 

Para o coordenador do Núcleo Agrário da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, o deputado João Daniel (SE), a situação é sintomática. Ele lembra a relação da ministra Tereza Cristina com a indústria de agrotóxicos, que recebeu doações de executivos diretamente ligados ao ramo na sua campanha para o Legislativo. 

"Lamentavelmente, é uma ministra e um governo que têm compromisso com as grandes corporações, do agrotóxico, das grandes transnacionais, e não com o povo”, pontua.

Já o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) chamou a atenção para a previdência rural. Na proposta de reforma da Previdência, PEC 6/19, principal agenda do governo Bolsonaro, o tempo de contribuição do trabalhador rural sobe de 15 para 20 anos.

Na avaliação de Teixeira, a medida representa um retrocesso que “vai impedir a aposentadoria do homem e da mulher do campo”. “Vinte anos de contribuição é um tempo muito grande para o trabalhador rural. Isso porque nem sempre ele está no momento de sua safra. No ano em que não há safra ou ele não consegue comercializá-la, é difícil contribuir.”  

O agricultor e deputado Carlos Veras (PT-PE) lembrou a importância da organização da juventude nesta articulação. Antes de chegar ao Congresso, ele participou do programa Jovem Saber, criado em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag).

A ideia da ação é organizar a juventude do campo para participar ativamente de sua comunidade e transformar seu território. “Discutir políticas com a realidade local possibilita as pessoas entenderem que podem mudar a sua realidade e o seu local. O que precisa é a organização e a participação. A política pode transformar a vida das pessoas”, defende Veras.

Edição: Vivian Fernandes