RENOVAÇÃO

Editorial |Período junino nos convoca a resgatar a esperança e seguir na luta

A adesão de cada pessoa à greve do dia 14 é fundamental para que a gente retome alguma condição de continuar sonhando

Brasil de Fato | Salvador (BA)

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As festas juninas são marcadas pelo sincretismo da cultura brasileira. / Divulgação

O mês das festas juninas chegou. Santo Antônio, São João e São Pedro. Festas marcadas pelo sincretismo da cultura brasileira. A celebração da fartura das comidas. Do milho, do amendoim, do aipim. Mês de resgate da cultura popular em todo o nosso estado. As quadrilhas, forró pé de serra, fogueira na porta de casa, brincadeiras e fogos de artifício.

É triste saber que no mês de junho desse ano, várias famílias que tinham conseguido melhorar de vida, voltaram a passar fome. Utilizar a lenha para fazer fogo passou a ser uma necessidade, já que o preço do gás de cozinha aumentou tanto. Já são milhares de famílias por todo o país que voltaram a cozinhar com lenha. Se já não bastasse a nossa economia estar “caindo aos pedaços”, o governo federal promoveu diversos cortes na educação.


Meu pai São João Batista é Xangô. Ele é dono do meu destino até o fim. O dia que me faltar a fé no meu senhor, derruba essa pedreira sobre mim.


São João é símbolo de renovação e esperança. João Batista foi quem batizou Jesus Cristo e anunciou a vinda do messias. Nas religiões afro-brasileiras, o São João é dia de Xangô. Orixá da Justiça. Estamos vivendo tempos em que esperança e justiça são coisas difíceis de se ter. Todos os dias acompanhamos novos ataques aos direitos do povo brasileiro. A justiça brasileira assumiu posição política declarada e tem cometido diversas injustiças, inclusive contra a nossa própria Constituição Federal. Manifestantes defendendo o presidente Bolsonaro vão às ruas pedindo o fechamento do STF, do congresso e o fim da democracia. São tempos difíceis. De desesperança e injustiça.

Mas a história do povo brasileiro, que é marcada por muita luta e esperança, nos faz permanecer caminhando e lutando a cada dia. Nunca foi fácil para nós. Temos uma tradição de exploração e autoritarismo por parte das elites no nosso país. Todo dia cada trabalhador e trabalhadora acorda cedo para batalhar por um futuro melhor. Tentar uma vida mais justa e digna para si, sua família e filhos.

Além dessa labuta diária, são diversas as organizações populares, associações e sindicatos que estão se colocando em movimento para defender os direitos, a democracia e a soberania em nosso país. No dia 15 de maio, aconteceram belíssimas manifestações nos quatro cantos do Brasil, defendendo a educação pública e a previdência social.

Esses setores seguem empenhados na construção de uma greve geral no dia 14 de junho. Para defender a nossa aposentadoria e o nossos sistema de seguridade social. O desafio que se coloca é o de repetir a greve geral que aconteceu em maio de 2018: a maior da história do Brasil. O povo brasileiro está contra a proposta que acaba com o seu direito de se aposentar. É preciso dialogar com cada pessoa. Cada familiar. A adesão de cada pessoa nessa greve é fundamental para que a gente retome alguma condição de continuar sonhando com a conquista de um futuro mais justo e melhor. Porque, como nos lembra o poeta, “os que virão, serão povo, e saber serão, lutando.”

Edição: Elen Carvalho