Coluna

Na mídia dos ricos, luta e aposentadoria dos trabalhadores é transtorno

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Em Porto Alegre, dezenas de milhares de pessoas fora às ruas na Greve Geral
Em Porto Alegre, dezenas de milhares de pessoas fora às ruas na Greve Geral - Foto: Marcelo Ferreira
Eles têm medo das consequências desse tipo de ideia.

A greve geral da última sexta-feira, 14, que teve, conforme as centrais sindicais, 45 milhões de trabalhadores parados, foi, para os meios de comunicação dos ricos, um transtorno. Nada de novo: a cada greve de qualquer categoria de trabalhadores, esses meios de comunicação preocupam-se apenas em colocar trabalhadores contra trabalhadores, levando à prática o velho ditado do “dividir para dominar”. Mas a realidade se impõe, e o movimento fortaleceu a luta contra a reforma da Previdência através da qual o governo de Jair Bolsonaro (PSL) quer acabar com o direito dos brasileiros à aposentadoria.

Sempre que há uma greve ou um protesto que interfira no funcionamento “normal” da cidade – em especial quando fere a rotina de exploração dos trabalhadores pelos patrões – as coberturas dos meios de comunicação dos “de cima” têm o mesmo sentido: criminalização e foco nos “prejuízos” a quem quer se deslocar. Mas não um deslocamento qualquer: o foco é o deslocamento para o trabalho. A preocupação não é por acaso. Os donos do poder midiático são parceiros – quando não os mesmos – dos donos do poder econômico. E a eles o que interessa é produzir mais para lucrar mais.

Esse desespero dos poderosos com a paralisação ou redução da produção – e, portanto, da exploração e do lucro – é ampliado, nesse caso específico, por dois motivos: 1) por se tratar de uma greve geral, ápice da organização dos trabalhadores e que pode desencadear movimentos que questionem absolutamente tudo; 2) pelo fato de a pauta central da última sexta-feira ser a luta contra a reforma da Previdência. Os donos da mídia, os donos do dinheiro e os donos da política institucional, embora algumas vezes vivam estremecimentos entre si, querem porque querem que a reforma saia o quanto antes. Não por acaso: a reforma, se aprovada, irá ampliar os já brutais lucros dos bancos e dos especuladores – que nada produzem. Para ampliar os lucros deles, não há outro caminho se não ampliar a exploração dos “de baixo”. Esse é o centro da reforma que o governo defende, e é por isso que encontra nesse setor da mídia um poderoso aliado em defesa da reforma.

Ao contrário do que aconteceu em protestos apoiados pelos meios de comunicação dos ricos – como os que desencadearam o golpe que derrubou Dilma Rousseff (PT) –, agora pouco houve de matérias prévias que destacavam que aconteceria uma greve. É claro, isso ajudaria indiretamente a convocar a greve e os atos. Durante o dia, portais de notícias e emissoras de televisão destacaram aspectos considerados negativos do movimento grevista, na velha estratégia de gerar divisão. Mesmo assim, além da paralisação, várias manifestações ocorreram em diversas partes do Brasil. Em Porto Alegre, fomos dezenas de milhares nas ruas no final da tarde. Não houve como a mídia empresarial esconder, mas, mesmo assim, a expressão “greve geral” pouco apareceu em portais e jornais. Eles têm medo das consequências desse tipo de ideia.

No dia 14, em todo o Brasil, os trabalhadores causaram dois transtornos aos poderosos: pararam parte da produção e da circulação de pessoas e de mercadorias; e questionaram o projeto apoiado por todos os donos do poder e que pretende nos espremer ainda mais para que eles lucrem ainda mais às custas do nosso suor. Nossa aposentadoria e nossa luta só atrapalham quem quer usar nossa força de trabalho para seus próprios interesses.

 

Edição: Marcelo Ferreira