Coluna

É preciso entender o Bolsonarismo, para combatê-lo

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28 de Junho de 2019 às 10:39
Recente pesquisa divulgada pelo Ibope coloca que 48% da população brasileira já desaprova o governo de Bolsonaro / Ludovic Marin/AFP
Setores da extrema-direita ocupam hoje o governo em países importantes

O Governo Federal segue tropeçando em suas próprias pernas. Dia após dia, afirmações são feitas, para rapidamente serem negadas e assim o governo segue sem acertos. O que alguns entendem como uma tática política, para mim não passa de bizarrice mesmo. Em resumo, um governo composto por figuras e ações patéticas. E a população já sente isso. Recente pesquisa divulgada pelo Ibope coloca que 48% da população brasileira já desaprova o governo de Bolsonaro. Número alto para um governo que sequer completou seis meses.

Porém, por mais atrapalhado que se apresente o seu governo, não podemos nos esquecer de que a vitória de Bolsonaro não foi por acaso. Atribuir a vitória eleitoral desta extrema-direita no Brasil a um mero acaso seria das piores posturas que poderíamos ter. Se não entendermos as raízes do que representa o Bolsonarismo, não saberemos construir as melhores formas de virar este jogo. É como se no meu dia-a-dia como médico, quisesse tratar alguma doença sem um diagnóstico correto. E este descuido pode carregar riscos por si.

Setores mais ligados à extrema-direita ocupam hoje o governo em países importantes em todo o mundo. Além dos evidentes exemplos de Donald Trump, nos Estados Unidos, e de Bolsonaro, podemos citar países como Itália, Polônia, Hungria, Áustria, Filipinas, entre outros. Logo, seria ingênuo pensarmos que a eleição de Bolsonaro se deu apenas por detalhes, ou por conta de uma ou outra rede social.

Mais uma vez vou recorrer a um paralelo com a minha realidade como profissional de saúde: é preciso compreender o governo atual como uma grave e complexa doença que precisa ser estudada para que possamos lançar mão dos melhores tratamentos disponíveis. Não há remédio universal para qualquer doença que apareça em nossa frente. E, complicando ainda mais, esta doença está espalhada por todo o planeta e não será erradicada de uma hora para outra.

Este “diagnóstico” não significa dizer que a solução é deitar-se em um leito hospitalar e aguardar uma solução divina. Precisamos desde já combater os sintomas e explorar as fraquezas desta doença. Nesta peleja, misturando metáfora com realidade, precisamos nos proteger e evitar que a doença nos mate, mas sem deixar de lado a necessidade de resistir cotidianamente para que tenhamos mais forças e mais anticorpos para combater o inimigo.

Edição: Monyse Ravenna