DENÚNCIA

Editorial | Ano após ano, Brasil segue na lista dos países que mais mata LGBT's

LGBT’s são vítimas cotidianas dos mecanismos ideológicos e repressivos do Estado

Brasil de Fato | Recife (PE)

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No ano passado foram computadas 420 mortes no país, segundo o Grupo Gay da Bahia / Mídia Ninja

No dia 28 de junho de 1969 na cidade de Nova York o bar Stonewall Inn foi palco de uma ação policial contra a população LGBT (Lésbica, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), a reação contra a ação violenta durou duas noites e um ano depois, resultou na realização da 1º Parada do Orgulho LGBT no intuito de relembrar o episódio.

Cinquenta anos se passaram mas a perseguição, violência e criminalização da população devido à sua orientação sexual e identidade de gênero ainda são frequentes e bem atuais.  O relatório 2018 divulgado pelo Grupo Gay da Bahia, entidade que há 39 anos registra dados de violência contra LGBTs no Brasil, apontou que ano passado foram computadas 420 mortes no país. Os dados mostram que 76% das mortes foram homicídios e 24% foram suicídios. Os números colocam o Brasil no ranking dos países que mais mata LGBTs no mundo.

Sabemos que não é somente a população LGBT que sofre na pele com a violência estrutural que conformou a nossa sociedade, mulheres e jovens negros das periferias também são vítimas cotidianas dos mecanismos ideológicos e repressivos do Estado.  A eleição de Jair Bolsonaro (PSL) e seu histórico discurso de ódio contra o povo brasileiro em suas diversas manifestações são uma ameaça aos direitos LGBTs, não podemos esquecer que a repressão contra o ensino sobre gênero nas escolas vem se intensificando com apoio do novo governo.

No último dia 13 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é crime no Brasil. Os ministros determinaram que a conduta passe a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89) que atualmente  é um crime inafiançável e imprescritível. 

Essa votação pela criminalização é uma importante vitória diante de um cenário político que só impõe retrocessos à classe trabalhadora e é uma resposta, nos marcos legais, de que não é admissível a violência contra LGBTs no Brasil. No entanto, sabemos que mudanças na legislação por si só não produzirão a diminuição da violência, mas, na verdade, estamos diante de uma conquista que abrirá mais espaços para a politização acerca da violência contra essa parcela da população.

Neste 28 de junho, dia internacional do orgulho LGBT, que Stonewal Inn e outras experiências que ajudaram a travar o debate sobra a importância dessa luta continuem nos inspirando resistência para que esses corpos “não recomendados à sociedade” permaneçam persistindo de que viver e amar é um direito de todos e todas.

 

Edição: Monyse Ravenna