Coluna

Luzes na cidade | Mipoh

Símbolos que resistem no tempo. Sonhos e traços que se mantêm em resistência.

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Com poucos golpes de sprays, Mipoh desenhou o reverendo Martin Luther King / Ricardo Stuckert

Quem não tem um sonho? Eu reencontrei Daniel Mipoh doze anos depois. Em 2007, ele era um piá na área de ocupação Jardim Alegria, em São José dos Pinhais. Nosso coletivo, chamado Despejo Zero, articulava lutas por moradia e atuava ao lado da associação de moradores local. 

Começamos um curso de comunicação no Jardim Alegria, mas a sede da associação, perto do campinho, foi sendo apedrejada, tendo os telhados roubados, até lembrar um muro de guerra. Assemelhava-se às obras do colégio estadual, também abandonadas, gerando no povo desilusão com o poder público. Transferimos o curso então para a casa de uma moradora. Já com um traço incrível, Mipoh foi responsável pelas capas e ilustrações do jornal da vila. 

E nos reconhecemos justamente pelos seus traços, quando no dia 26 de junho ele foi convidado para fazer uma arte na Vigília Lula Livre, ao lado de outro compa, Rudy Style. Com poucos golpes de sprays, Mipoh desenhou o reverendo Martin Luther King, símbolo da resistência pela igualdade entre negros e brancos. Símbolos que resistem no tempo. Sonhos e traços que se mantêm em resistência. Foi o caso de Mipoh. 

 

Edição: Laís Melo