Reivindicações

Coluna | Observatório dos conflitos registra atos em defesa de direitos

Confira o resumo dos principais protestos ocorridos em Curitiba e Região Metropolitana em junho

Curitiba

,
Ato do funcionalismo público por reposição salarial e direitos / Gibran Mendes

Esta é a coluna mensal do Observatório dos Conflitos Urbanos de Curitiba, que apresenta o resumo dos principais protestos ocorridos em Curitiba e Região Metropolitana ao longo do mês de junho. O Observatório é composto por professores e pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Rango com Rafael Greca

No dia 6 de junho, mais de 80 pessoas do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR) caminharam até a prefeitura de Curitiba e realizaram um ato público chamado “Rango com Rafael Greca”, finalizado com a distribuição de almoço.

O protesto visou chamar a atenção para a insuficiência de vagas de acolhimento na cidade, que possui um contingente estimado em 6 mil pessoas em situação de rua, mas oferta cerca de 800 vagas. Além disso, o movimento reivindicou alternativas de moradia para essa população, assim como políticas públicas efetivas e denunciaram situações de violência, pois, apenas em 2019, três pessoas em situação de rua foram assassinadas na capital paranaense. O protesto denunciou que as políticas públicas existentes não atendem às necessidades da população.

Imparcialidade em xeque: as ações do Moro e a Lava Jato

Manifestantes se reuniram em frente à Justiça Federal para declarar apoio ao ex-juiz Sérgio Moro e à Lava Jato, no dia 16 de junho, uma semana após o site “The Intercept” divulgar série de diálogos entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol que colocariam em dúvida a atuação do juiz nos processos da operação. O movimento República de Curitiba alega acreditar em Sérgio Moro.

Do outro lado, outros grupos organizados defenderam a soltura do ex-presidente Lula, no movimento intitulado “Dia Nacional de Agitação Lula Livre”, que propôs atos descentralizados apoiando a sua liberdade. Assim, no dia 24, quando a Vigília Lula Livre completava 443 dias, essas caravanas vieram à capital para aguardar o julgamento do habeas corpus do ex-presidente. No dia seguinte (25), ocorreu outra manifestação em frente à Justiça Federal, que ficou conhecida como “Libertem Lula Já”. Também foi lançado abaixo-assinado para o STF, que pede a anulação do julgamento do ex-presidente Lula devido à parcialidade  do juiz.

Mês do orgulho LGBT

O 28 de junho se tornou o “Dia Internacional do Orgulho LGBT” após uma invasão policial, em 1969, no bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, quando uma multidão se rebelou contra a polícia que tentava prender pessoas LGBT.

Curitiba recebeu, no dia 30, a Marcha pela Diversidade, celebrando os 50 anos de Stonewall. A marcha reuniu mais de 10 mil pessoas e bloqueou diversas ruas do centro da cidade. Além da habitual marcha anual, o destaque às pautas identitárias contou com protestos de estudantes e ex-alunas do Colégio Estadual do Paraná (CEP) contra denúncias de assédios sexuais dentro das salas de aula. Centenas de alunas se reuniram em frente ao colégio, na quinta (13), levantando bandeiras como "chega de assédio" e "CEP sem assédio".

A marcha mostra como determinados grupos têm reivindicado novos modos de pensar e agir a partir dos princípios da diversidade e do respeito, com a incidência de protestos identitários, que lutam por mudanças culturais em favor dos direitos das minorias.

Trabalho e direitos trabalhistas

As duas principais passeatas do mês de junho ocorreram no dia 14, com a Greve Geral contra a reforma da previdência e em favor da Universidade Pública, entre outras pautas, e no dia 25 de junho, pelo reajuste de salários dos servidores públicos do Paraná.

Na greve geral, o dia começou com as garagens de ônibus de Curitiba sendo fechadas por manifestantes, assim como as rodovias BR-376 e BR-277, que foram interditadas. Em Araucária, um manifestante foi atingido por tiro de borracha durante um bloqueio de rodovia (BR-476). Ao longo do dia, houve passeata saindo da praça Nossa Senhora de Salete, onde aconteceu a concentração inicial, em direção à praça Santos Andrade, além de passeatas pelo centro da cidade o dia todo.

Apesar de muitas outras bandeiras levantadas nessas paralisações, destaca-se a luta contra a precarização das condições de trabalho, que vem acontecendo no país e, principalmente, no estado do Paraná, seja pelos efeitos da reforma trabalhista ou mesmo pelas perspectivas da reforma da previdência.

Manifestação policial

Em frente ao Palácio Iguaçu, sede estadual do governo do Paraná, policiais civis e delegados se reuniram, na segunda-feira (24), “entregando” ao governador Ratinho Júnior dezenas de carros da Polícia Civil que estão sem condições de uso. O protesto denunciou ainda as péssimas condições de trabalho a que agentes estão expostos, além de reivindicar reposição salarial. A manifestação foi organizada pelo Sidepol e pela Adepol, Associação dos delegados de Polícia. Nesse mesmo caminho, os policiais apoiaram também a greve do dia 25, coordenada pelos sindicatos dos servidores públicos paranaenses, que levantam bandeiras contra as condições precárias e a falta do reajuste salarial.

Edição: Frédi Vasconcelos