EUROPA

Partido conservador vence eleições na Grécia; Tsipras reconhece derrota

Vitória de Mitsotakis marca o retorno do Nova Democracia ao poder e fim do governo de esquerda do Syriza

Partido de direita Nova Democracia, liderado por Kyriakos Mitsotakis (foto), venceu as eleições gerais da Grécia realizadas neste domingo / Foto: Louisa Gouliamaki/AFP

O partido de direita Nova Democracia, liderado por Kyriakos Mitsotakis, venceu as eleições gerais da Grécia realizadas neste domingo (07/07) e colocou fim ao governo do atual primeiro-ministro Alexis Tsipras, do esquerdista Syriza.

Com 87% das urnas apuradas, o ND conquistou 39% dos votos e garantiu 158 assentos no Parlamento, sete a mais do que os 151 previstos para se obter maioria. Por sua vez, a legenda do atual premiê ficou em segundo lugar com 31% e 86 cadeiras no Legislativo.

Após a vitória, Mitsotakis fez um pronunciamento afirmando que irá "trabalhar duro para representar todos os gregos". "O povo grego falou soberanamente esta noite. A sociedade quer que avancemos unidos. Nós somos muito poucos para ficarmos divididos", disse.

O líder da Nova Democracia ainda afirmou que "a sociedade enviou uma mensagem clara em favor do crescimento, geração de empregos e segurança". Mitsotakis ainda prometeu que o Parlamento continuará trabalhando durante o verão, quando estaria previsto um período de recesso. 

A vitória de Mitsotakis marca o retorno do Nova Democracia ao poder, após o ex-premiê António Samarás, também do ND, que governou o país entre 2012 e 2015, perder as eleições de janeiro de 2015 para Tsipras. O atual primeiro-ministro, que buscava a reeleição, já reconheceu a derrota. Mitsotakis assume o posto nesta segunda-feira (08/07) em cerimônia no Parlamento.

Em pronunciamento após os resultados, o premiê disse que respeita a decisão das urnas e que "a luta foi extremamente difícil". "Os cidadãos fizeram sua escolha. Eu vou respeitar a vontade popular e não vou repetir o que o meu antecessor fez. Com a cabeça erguida, aceitamos o veredito popular", disse.

Aplaudido de pé por membros de seu partido, Tsipras ainda afirmou que o Syriza irá "exercer uma oposição responsável e nos prepararemos para retornar à posição de chefia do governo quando chegar a hora".

O mandato da Tsipras iria até outubro. Porém, após o Syriza obter resultados ruins nas eleições europeias realizadas em maio, o premiê decidiu antecipar o pleito. Tsipras, o mais jovem político a assumir o cargo na história do país, foi eleito em janeiro de 2015, quando derrotou o ex-premiê Samarás.

Entretanto, chegou a renunciar em agosto do mesmo ano, após romper com parte de seu partido por conta de discordâncias com relação ao pacote de austeridade imposto pela troika. Naquela ocasião, Tsipras venceu novamente e conseguiu se manter no cargo.

Em terceiro lugar, a legenda de centro-esquerda PASOK obteve 7,9% dos votos e conquistou 22 assentos parlamentares. O Partido Comunista da Grécia conquistou 5,3% dos votos e a legenda garantiu 15 cadeiras. Por sua vez, o partido neonazista Aurora Dourada teve 2,9% e não conquistou nenhum lugar no Parlamento.

Premiê eleito

Crítico do governo de esquerda de Tsipras e adepto de um projeto neoliberal, Mitsotakis é um ex-banqueiro que nunca disputou uma eleição nacional, mas não é novo na política grega. Seu pai, Konstantinos Mitsotakis, foi primeiro-ministro do país entre os anos de 1990 e 1993, e sua irmã,  ministra das Relações Exteriores.

O candidato pela ND já foi membro do Parlamento e ocupou o ministério da Reforma Administrativa durante o governo do ex-premiê Antónis Samarás, também da Nova Democracia, entre 2012 e 2014.

O fato de Mitsotakis se apresentar como “nova alternativa” durante sua campanha eleitoral foi criticado pelo atual premiê e seu partido, que acusam o conservador de representar a volta de antigas famílias ao poder, hegemonia que foi rompida com a vitória eleitoral de Tsipras em 2015.

A campanha de Kyriakos Mitsotakis foi baseada em criticar as medidas de austeridade impostas pelo governo do Syriza, visando conquistar o eleitorado da classe média que, segundo analistas, voltou as costas para o atual governo. Promessas como redução de impostos, ampliação de linhas de crédito e geração de emprego como substituto para “programas de assistência social” nortearam o percurso da Nova Democracia em busca da liderança no Parlamento.

Economia

A situação econômica da Grécia foi um tema que pautou as campanhas de todos os candidatos durante as eleições de 2019. Uma longa crise econômica atingiu a Grécia nos últimos anos. O país recebeu uma ajuda financeira de 288,7 bilhões de euros entre os anos de 2010 e 2018 com o intuito de sanar uma das piores crises financeiras de sua história, iniciada pela crise mundial de 2008.

Dessa quantia, 256,6 bilhões de euros vieram da União Europeia, e 32,1 bilhões de euros, do Fundo Monetário Internacional (FMI), que, em conjunto com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, formaram a troika, que impôs uma série de políticas de austeridade implantadas pelo governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras. Criticado pelo próprio partido à época, o premiê rompeu com parte do Syriza para conseguir aprovar as medidas e dar continuidade ao recebimento do auxílio.

Em 2015, Atenas assinou o último programa de financiamento que compreendia 61,9 bilhões de euros. O governo da Grécia teve que implementar um programa de austeridade imposto pela troika que envolvia redução de aposentadorias, aumento de impostos, corte nos gastos públicos e privatizações.

Em agosto de 2018, o governo grego anunciou que o programa de assistência financeira da União Europeia que durou oito anos havia chegado ao fim. Embora continue sob vigilância dos credores durante os próximos anos, em 2016 e 2017 a Grécia registrou um superávit orçamentário de 4% e, em 2019, assiste a uma redução no índice de desemprego.

Edição: Opera Mundi