FUTEBOL

Juventude é protagonista nos campos e na luta

Copa da Reforma Agrária acontece desde maio unindo futebol e política

Brasil de Fato | Salvador (BA)

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Na etapa final, vão disputar dez times femininos e dez masculinos. / Arquivo pessoal

Mais de 200 times de futebol, entre masculinos e femininos, disputam a primeira Copa da Reforma Agrária na Bahia. A iniciativa é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e acontece desde maio deste ano. Além dos jogos, a Copa também vem realizando debates sobre temas importantes para a juventude e a sociedade como um todo.

Victor Passos Lopes, 26 anos, joga no time do Assentamento Bela Manhã, em Teixeira de Freitas. Ele explica que "a partir do planejamento anual, começamos a fazer a discussão nas nossas áreas de assentamento e instigar a nossa juventude a participar da copa estadual. Ela vem de um processo de organização de mais ou menos três meses. Toda a juventude dos acampamentos e assentamentos está mobilizada".

Iza Paim, 21 anos, joga no time do Assentamento Jaci Rocha, localizado no Extremo Sul baiano. Ela conta que, desde o começo do ano, elas vêm se preparando. "Estamos treinando toda a nossa juventude, com um olhar especial para as nossas meninas, que, normalmente, são excluídas desse espaço, que também pertence a nós. Em algumas áreas, temos times que participam de campeonatos municipais e torneios", explica.

Victor avalia que a experiência tem sido maravilhosa, "porque nós temos discutido muito da importância da juventude Sem-Terra no processo da luta. A copa vem para dar protagonismo a juventude nesse período que estamos vivendo. A gente tira os jovens da ociosidade dos acampamentos e assentamentos e traz pro protagonismo".

Iza observa que o esporte é uma forma de praticar a coletividade. "Nós temos nos empenhado bastante pra que não só o jogos aconteçam, mas também os momentos de debates. Apesar do momento que estamos passando de extrema retirada de direitos, o extermínio da juventude negra só aumentando, nós juventude Sem-terra não nos damos por vencidas. Essa copa vem com um sentido de unirmos forças com todos os movimentos sociais".

Victor reforça a importância do diálogo com a sociedade a partir da copa. Dois dias antes da cada jogo, acontecem os debates. Os temas giram em torno da questão racial, extermínio da juventude negra, cotas, educação, Congresso do Povo entre outros.

Iza explica que os temas foram decididos nacionalmente. "Os temas foram pensando através do coletivo Nacional juventude para a preparação da nossa jornada nacional. O encaminhamento era fazer os debates nos estados, então decidimos politizar os jogos com os debates e fazermos momentos de formação pra agitação e propaganda".

Os cerca de 200 times jogam em três etapas. Primeiro disputam nas brigadas, depois vão para as regionais e, por último, a etapa estadual. A última fase vai acontecer dos dias 9 a 12 de outubro no Estádio de Pituaçu, em Salvador. Dez times masculinos e dez times femininos disputarão. Todos os participantes da Copa devem comparecer aos jogos e demais atividades.

Edição: Jamile Araújo