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Por que algumas farmácias pedem nossos dados e o que o Facebook tem a ver com isso?

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12 de Julho de 2019 às 11:23

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Nossas informações pessoais estão cada vez mais na mão das empresas. É exatamente isso que acontece no caso das farmácias / Agência Brasil
As redes sociais massificaram a construção de bancos de dados

Você já se perguntou por que boa parte das farmácias pede seu CPF de forma tão insistente na hora do pagamento? É difícil encontrar alguém que não tenha passado por esta situação. A justificativa é sempre a de oferecer supostos descontos ao cliente sem qualquer explicação. Sequer sabemos qual o destino das informações geradas em cada compra de medicamento ou outros produtos nestas grandes redes de farmácia.

As redes sociais, como o facebook, massificaram a construção de bancos de dados com o máximo de informações de cada um de nós. Perfis cada vez mais detalhados com nossos hábitos, como reagimos emocionalmente a cada like ou comentário, entre vários outros dados. Nisso, nossas informações pessoais estão cada vez mais na mão das empresas. É exatamente isso que acontece no caso das farmácias.

Quando este assunto surge, vejo, às vezes, alguém argumentar que “não deve nada”, por isso não teria problema com a construção de um perfil seu no cadastro de uma ou mais empresas. Hoje o uso mais comum destes perfis é como direcionador de propaganda. Não é difícil pesquisar por um produto em algum site de busca e, em seguida, começarem a aparecer propagandas deste mesmo produto nos mais diversos sites.

O problema é quando estas informações estiverem sendo utilizadas para questões mais delicadas. Como por exemplo, o que esperar quando empresas começarem a utilizar o perfil construído em farmácias para deixar de contratar pessoas que compram antidepressivos ou que compram fraldas? Ou até mesmo mulheres que tenham comprado pílulas do dia seguinte mesmo que não fossem para uso próprio? E se os planos de saúde começarem a cobrar mais caro a pessoas que costumam comprar mais remédios? As possibilidades são muitas. Quem menos ganha nesse mercado de dados somos nós, que passamos a ser os produtos, de fato.

A lei brasileira proíbe a comercialização de bancos de dados como estes que citei. Mas não é irreal imaginar que já não aconteçam estas negociações. Já há redes farmacêuticas denunciadas, inclusive. Meu limite de caracteres não me permite um maior aprofundamento, inclusive para tratar do uso político de informações pessoas. Mas retornarei ao assunto em momentos posteriores. Sigamos atentos aos ataques, inclusive à nossa privacidade. Estão cada vez maiores e só temos a perder.

Edição: Monyse Ravenna