VARIEDADES

Coluna de Ciências | Você sabe o que é um alimento ultraprocessado?

Está em discussão no Congresso a rotulagem de advertência obrigatória para esses produtos

Belo Horizonte

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Classifica-se os alimentos em quatro tipos: os in natura, os minimamente processados, os processados e os ultraprocessados / Tânia Rego / Agência Brasil

Outro dia na aula falávamos sobre as biomoléculas quando uma aluna perguntou: “professor, afinal, a dieta low carb é boa mesmo?” Pra quem não sabe essa é uma das dietas da moda. Consiste em cortar do prato alimentos ricos em carboidratos, nutriente responsável pela energia para o funcionamento do organismo.

Respondi que sem carboidratos suficientes provavelmente ela morreria. Então, ela disse “sabia! A gente tem é que cortar a gordura da alimentação!” Minha resposta foi a mesma. Sem a ingestão adequada de gorduras o corpo não funciona.

Há uma noção no senso comum que relaciona a qualidade da alimentação de uma pessoa com a quantidade de determinado nutriente que ela consome. Essa ideia, apesar de correta, é insuficiente hoje para avaliar a qualidade de uma dieta.

Em um primeiro momento, a ciência da nutrição buscou entender como os nutrientes presentes nos alimentos agem no organismo. Assim descobrimos, por exemplo, a relação entre as gorduras e as doenças cardíacas e das proteínas com o ganho de massa muscular.

Porém, nos últimos anos os estudos têm percebido que só falar de nutrientes de forma geral e isolada não basta. Tão importante quanto, é saber, por exemplo, como as diversas substâncias que ingerimos interagem, qual a qualidade e a origem delas. E, principalmente, se aquilo que ingerimos é de fato comida. Com esse novo entendimento as orientações nutricionais mudaram.

Classifica-se os alimentos em quatro tipos: os in natura, aqueles diretamente extraídos de algum ser vivo (frutas, legumes, grãos, carnes, ovos etc.); os minimamente processados, que sofreram algum processo mínimo de manipulação (limpeza, remoção de partes, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteurização, refrigeração ou congelamento); os processados têm adição de açúcar, óleo, gordura ou sal (por exemplo, conservas e geleias); e os ultraprocessados são produtos industrializados que contêm, além das substâncias acima, outras de origem artificial, como aromatizantes, conservantes ou estabilizantes (aquelas palavrinhas estranhas na lista de ingredientes e que geralmente advêm do petróleo).

Para comer bem você deve dar preferência aos alimentos in natura e minimamente processados, e evitar o consumo dos processados e, principalmente, dos ultraprocessados. Está inclusive em discussão no Congresso a rotulagem de advertência obrigatória para esses produtos.

“Descasque mais e desembale menos” é uma boa dica a seguir para ter uma alimentação saudável!

Um abraço e até a próxima!

Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais.

Edição: Elis Almeida