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Vídeo | O que é o Foro de São Paulo?

Brasil de Fato relembra fatos marcantes da história do maior encontro de movimentos sociais e políticos do continente

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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A última edição do Foro aconteceu em Havana, Cuba. Este ano, o evento será sediado pela segunda vez na Venezuela. A primeira foi em 2008 / Foto: Divulgação

Com o tema "Pela Paz, a Soberania e a Prosperidade dos Povos: Unidade, Luta, Batalha e Vitória!", o Foro de São Paulo volta a Caracas e reunirá entre quinta-feira (25) e domingo (28) cerca de 800 delegados de 150 partidos e movimentos. É a segunda vez que o Foro acontece na capital venezuelana. 

Para o seu 25º encontro, o Foro convidou organizações europeias mas também africanas, asiáticas e movimentos sociais dos Estados Unidos. Também será a primeira vez que o evento terá a participação de organizações sociais cubanas, além do Partido Comunista de Cuba

Um dos principais debates desta edição será a luta contra a guerra híbrida na Venezuela, o enfrentamento à nova postura de dominação dos Estados Unidos contra países da América Latina e a articulação de uma agenda comum de mobilização.

O Foro de São Paulo é uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerdas da América Latina e o Caribe. Surgiu em 1990, fruto da articulação política do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, e o então dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva.

O primeiro encontro ocorreu em julho de 1990, em São Paulo. Essa é a origem do seu nome. Na época, foi considerado o maior evento de partidos e movimentos populares do continente americano. Nesses 29 anos foram realizados 24 edições do evento.

Atualmente o Foro possui 121 partidos membros. Do Brasil, além do PT, participam o PDT, o PCdoB, o PCB, o PPL, o PSB e o PPS.

Liderança dos membros fundadores

Os três grandes partidos da época, o Partido Comunista de Cuba (PCC), a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), da Nicarágua, e o Partido dos Trabalhadores (PT), do Brasil, lideraram a construção e os debates centrais.

Em 2008, o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez fundou o Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV), resultado da união de vários partidos de esquerda do país.

O PSUV passou então a ter um importante papel na articulação do Foro de São Paulo.

Principais pautas do Foro

Nos anos 90, quando surgiu, as principais pautas do Foro de São Paulo eram o combate às políticas neoliberais impulsionadas pelos Estados Unidos, a redemocratização dos países que recém saíam das ditaduras militares, fortalecimento das lutas populares e iniciativas que contribuiriam com a chegada dos partidos de esquerda chegarem ao poder.

Década de ouro para a esquerda latino-americana

Entre os anos de 2002 e 2012, muitos dos partidos integrantes do Foro de São Paulo estavam governando. Entre os partidos que chegaram a chefias de governos nacionais está o Movimento para o Socialismo (2005 até o momento), da Bolívia; Partido dos Trabalhadores (2003 a 2016), do Brasil; Aliança País (2007 a 2017), do Equador, Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (2009 a 2019), de El Salvador; Partido da Libertação Dominicana (2004 até o momento), Partido Trabalhista da Dominica (2000 até o momento), Frente Sandinista de Libertação Nacional (2006 até o momento), da Nicaragua, Frente Ampla (2005 até o momento), do Uruguai, PSUV, da Venezuela (chavismo governa desde 1999, mas o PSUV nasceu em 2008) e o Partido Comunista de Cuba (que governa desde 1959).

Participação de organizações de outros continentes

Em janeiro de 2010, a organização Esquerda Unida da Europa – uma coalizão de partidos nacionais da Comunidade Econômica Europeia – expressou a intenção de aproximar-se do Foro de São Paulo. A declaração foi feita do terceiro congresso da coalizão europeia.

Em 2012, na reunião do Foro em Caracas, partidos europeus participaram pela primeira vez como convidados. Essa mesma edição foi marcada pelo ingresso da Marcha Patriótica, da Colômbia, uma coalizão política formada a partir do início dos diálogos de paz entre as Farc e o governo colombiano.

Edição: Rodrigo Chagas