Programação

Armazém do Campo é referência da cultura de resistência

Todo mês são realizados mais de dez eventos gratuitos, com artistas de diversos estilos

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Loja do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da capital mineira foi inaugurada em novembro de 2016 / Foto: Joyce Fonseca/MST

Desde a inauguração, em novembro de 2016, a loja do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da capital mineira trabalha o alimento e a arte como expressões da cultura dos trabalhadores brasileiros. O local, na esquina da avenida Augusto de Lima com Contorno, reúne a venda de alimentos saudáveis às noites culturais e à política. Todo mês acontecem mais de dez eventos gratuitos para o público, com a presença de artistas populares dos mais diversos estilos.

Para Guê Oliveira, do setor de cultura do MST, o Armazém tornou-se um espaço de referência para a diversidade de Belo Horizonte, em especial, para grupos afetados pelo discurso de ódio do atual governo. “O Armazém do Campo é a embaixada cultural do MST dentro da grande cidade. Aqui é possível discutir política e ser mulher, negro, LGBT sem se sentir ameaçada. Buscamos criar um ambiente para debate, feito para ser ocupado por quem ainda acredita na transformação dessa sociedade”, convida.

Durante as atividades, entre uma música ou uma poesia, é possível conhecer os frutos da luta pela terra. Alimentos produzidos a partir da agroecologia. Arroz, feijão, café, molho de tomate, conservas, geleias, cachaças, verduras, entre outros, abastecem a loja semanalmente. “Nossa produção se baseia em relações livre de opressões. A agroecologia busca produzir um alimento livre de agrotóxicos, mas livre também da exploração que degrada a natureza e livre da exploração que degrada a vida humana”, explica Paulo Duarte, atual gerente.

Ele conta que é um desafio manter o local abastecido. “Para a produção sair de uma das nossas áreas e chegar aqui são centenas de quilômetros. Tudo começa na ocupação da terra, são áreas de conflito. Por isso é uma logística complicada para manter o preço baixo e uma grande variedade, principalmente porque não há mais política nenhuma que incentive a reforma agrária. Mas o nosso alimento também tem o sabor da luta”, diz.

A loja funciona durante a semana no horário comercial e até mais tarde nos eventos. O endereço é avenida Augusto de Lima, 2136.

Confira a programação:

Projeto Cultura na Sexta - artistas variados da cultura mineira toda sexta-feira, a partir das 19h

Sarau Preto - Toda terceira sexta do mês

Quarta Inviolada - Pereira da Viola e convidados contam as histórias da viola, toda última quarta do mês

Samba da Nossa Terra - grandes bambas mineiros tocam a roda com feijoada, todo sábado às 13h13

Mais detalhes na página do Armazém.

Edição: Joana Tavares